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sexta, 16 de novembro de 2018

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – A procura, de Cora Coralina

 

Numa quinta-feira de dezembro  do ano de 1985 os frequentadores  da casa de leilões Christie’s testemunharam um momento histórico.

O lance final  para uma garrafa de  vinho  Chateau Lafite 1787 (foto) foi de inacreditáveis  156 mil dólares.

Produzido na região de Bordeaux, a garrafa tinha um detalhe  fundamental:  as iniciais “Th.J” indicavam

ter pertencido a Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, então embaixador na França,

reconhecido como um dos maiores conhecedores de vinho do seu tempo.

Esse registro está no livro “O vinho mais caro da História”, de Benjamim Wallace.

O expert capixaba Luiz Cola relaciona os vinhos mais caros da atualidade, evidenciado o “non sense”

da arrematação do Lafite 1787:

Domaine de la Romanée-Conti  Cru- Us$ 15.703,oo

O alemão Egon Scharzho Berger –   Us$ 9.883,oo

Domaine Leroy Musigny Grand Cru – Us$ 7.880,oo

Ainda no recente Dia dos Paes, abri no almoço um esplêndido Heras Cordon Vendimia com que fui presenteado,

para mim com o sabor do Lafite  leiloado (indiscretamente,  fiquei ciente  que o espanhol custa cerca de 180 reais ,  preço muito acima

 dos vinhos habitualmente  consumidos por um aposentado pelo INSS.)

 Aliás, Amaury Temporal, com vários livros publicados sobre vinho, considera razoável  o teto de 100 reais por uma garrafa

 para consumo rotineiro. Acima disso,  pode ser  considerada ostentação…O vinho bom, acentua ele, é aquele que que nos dá prazer

e a escolha é sempre individual.É comprar um rótulo de cada vez para, ao fim de dez  garrafas,  selecionar e ficar com um deles…

É inimaginável (pelo menos para os apreciadores de uma bebida  quase santa como mostrou Jesus na Última Ceia) a incidência de tributos

sobre os vinhos nacionais ou importados. Pela garrafa do vinho que buscamos nos super mercados ou nas casas especializadas,

pagamos de impostos pelos  nacionais 58, 29 por cento (Icms, Ipi, Cofins, Pis); sobre o  importado da região do Mercosul 63,10 por cento e sobre os de outras origens incríveis 77,78 por cento.

Sem praticar eretismo, vale ler a Bíblia para condenar essa voracidade do fisco:

azeite, pão e vinho, a “Santíssima Trindade” (foto à esquerda)

– o vinho alegra o coração do homem, o azeite faz brilhar o seu rosto e o pão fortalece seu coração.

Concordando com  o escritor Roberto Louis Stevenson quando afirma ser “o vinho uma poesia engarrafada”

selecionamos – o colunista, o Portal Don Oleari e a Rádio Clube da Boa Música, com o aval do apreciador Oswaldo Oleare – um

poema que nos faz sonhar com aromas insuspeitados e sabores de um vinho produzido com uvas colhidas em parreiras plantadas

há pelo menos 25 anos…

O poema selecionado é da imortal Cora Coralina  – “A Procura”, com o verso final  auto explicativo.

Rubens Pontes

Capim Branco, MG.

 

A Procura

Cora Coralina

Andei pelos caminhos da Vida

Caminhei pelas ruas do Destino –

procurando meu signo.

Bati na porta da Fortuna,

mandou dizer que não estava.

Bati na porta da Fama,

falou que não podia atender.

Procurei na casa da Felicidade,

a vizinha da frente me informou

que ela tinha mudado

sem deixar novo endereço.

Procurei a porta da Fortaleza.

Ela me fez entrar: deu-me veste nova,

perfumou-me os cabelos,

fez me beber de seu vinho.

Acertei meu caminho.

Rubens Pontes é

jornalista, radialista,

pescador no Rio Araguaia

e degustador de vinhos

–  Passos, saltos & queda – livro de Rubens Pontes no linki abaixo:https://rubenspontes.com.br

 

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