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segunda, 10 de dezembro de 2018

Alencar Garcia de Freitas: O verão é a estação dos pobres

Moradores de rua em Vitória, capital do Espírito Santo

 

Quanto mais alta a temperatura do ano tanto melhor para os pobres, ainda mais quando estes vivem em situação de rua.

Aeles bastam um caneco de água para beber e para refrescar o corpo e um punhado de farinha para forrar o estômago.

O ruim é quando chove e o tempo esfria, aí a coisa pega feio, porque eles precisam de abrigo, agasalho e muita comida, e falta tudo isso. Para o pobre, vivendo num casebre ou na rua, quanto mais quente o tempo, melhor.

Toda manhã, vindo para o trabalho, vejo dezenas de pessoas em situação de rua, como que em busca de agasalho, com esse friozinho que está por aí, como se as marquises fossem suas moradas. Vez por outra uma alma generosa aparece e põe sobre um irmãozinho ou outro uma coberta, tentando aliviar o pobre necessitado.

Quase sempre quem dá esse tipo de socorro é um cidadão pobre, condoído com o sofrimento do próximo, o que me faz lembrar do saudoso dom João Batista da Mota e Albuquerque, que foi arcebispo de Vitória, quando dizia que quem ama o pobre é o pobre.

Ao dar de cara, diariamente, com alguém em situação de rua passando fome e frio, me indago: em algum dia vamos ter mais igualdade entre pobres e ricos, por exemplo?

Desde que o mundo é mundo sempre houve pobres e ricos, mas será que tem que ser uns exageradamente ricos e outros exageradamente pobres, como acontece em países do chamado terceiro mundo do qual continuamos fazendo parte, infelizmente?

É no verão que as pessoas se mostram mais alegres, comunicativas, otimistas e solidárias, até mesmo as que talvez não tenham tanto motivo para isso, como é o caso das que vivem em situação de rua, daí ser essa a estação a dos pobres, pois nela o sol da esperança brilha mais intensamente, animando-os a continuar caminhando neste mundo de tantas injustiças.

Alencar Garcia de Freitas

é jornalista

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