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tera, 11 de dezembro de 2018

Alencar Garcia de Freitas: Saudade tem preço, sim!

 

Logo de início peço desculpas aos editor Oleari pelo personalismo e saudosismo do que escrevo aqui. As personagens deste texto foram, são e serão sempre de importância vital para a minha vida.

Minha mãe Guilhermina, que faleceu com 74 anos, há quase meio século; e minha filha mais velha, Joana D’arc, falecida, nos meus braços, há mais de 60 anos, em Vitória, vítima de negligência médica.

No caso de minha mãe, com nome de realeza (para mim ela sempre foi uma realeza, embora pobre…), educando e encaminhando na vida os 11 filhos que meu pai lhe deixou como herança; extremamente austera, tudo na base do sim, sim, não, não!

A filha, com nome de guerreira, só não conseguiu vencer a guerra contra a negligência do seu médico à época, considerado um dos melhores e mais competentes profissionais de cirurgia torácica.

Para quem acredita na chamada ironia do destino, há uns 18/20 anos, procurando um apartamento para morar com a minha família, descobri e passei a morar num condomínio em Jardim Camburi, localizado na rua que tem o nome daquele médico: Dr. Herwan Modenese Wanderley.

É difícil acreditar que apesar de conviver, dia a dia, com esse nome, não guardo no meu coração nenhum resquício de mágoa. Afinal, se a rua passou a ter o seu nome, certamente fez por merecer; em casos talvez mais complexos do que da minha filha e ele teria sido bem sucedido.

As pessoas muitos especiais na vida da gente, mesmo depois de mortas continuam vivas no coração e no imaginário dos que ficaram para trás.

Por vezes, quando vejo um pai, uma mãe, um filho e um irmão que valorizam, como certo, seus entes queridos, fazendo-o apenas na beira do caixão, sinto imensa compaixão deles. Perderam o que tinham de melhor e não perceberam. Sempre digo para os meus filhos e para pessoas da minha relação de amizade que não existem ex-pais, ex-filhos e ex-irmãos.

Reconheço que a minha saudade pode parecer um comportamento tardio, mas é absolutamente autêntico, sincero e tem o preço de um amor que nunca acaba.

 

Alencar Garcia de Freitas

é jornalista

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