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tera, 11 de dezembro de 2018

Uchôa de Mendonça: Maldito enrolo

Não gosto de fazer jornalismo olhando pelo retrovisor.

O indivíduo tem obrigações de andar para a frente, buscar o futuro, sem remoer o passado.

Desde a década de 40, quando se descobriu que o caminho para as exportações de minério era a costa do Espírito Santo, mais importante ainda, a baía de Vitória, construiu-se aqui, defronte ao Palácio Anchieta o cais de embarque de minério Eumenis Guimarães, nome do engenheiro dado antes do projeto.

Com o funcionamento do cais de minério da então Cia. Vale do Rio Doce no distrito de Paul, município de Vila Velha, a primeira coisa a se reclamar era o barulho que fazia a movimentação dos trens e do desembarque do minério através de comportas que se abriam debaixo dos vagões de transporte e, em seguida o pó, levado pelos ventos.

Para expandir as exportações de minério pelo Brasil e aumentar nossa pobreza com a exportações de commodites minerais (não renováveis), através do Porto de Tubarão, acabamos ficando com dois desembarques e embarques de minério, aumentando a incidência de pó, fuligem, lançamento de enxofre, caulim e outros produtos cancerígenos no ar, matando muita gente na região, por problemas respiratórios..

Passamos a assistir a uma espécie de luta entre a demagogia dos pseudos ambientalistas, o governo do ES, a Vale, Siderúrgica de Tubarão, empresas produtoras de pellets e outros produtos ferrosos, mesmo com alto prejuízo da saúde das populações.

Dia 20 de setembro último A GAZETA de Vitória/ES trazia notícia importante na sua página 12: “Vale e Arcelor MIttal têm até 2023 para reduzir a emissão de pó preto”. Explicitamente, dizia a nota:

– “As pessoas para cumprimento de quase duas centenas de metas de redução da poluição para as empresas instaladas na Ponta de Tubarão, entre Vitória e Serra, foram divulgados ontem pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA). Os dados constam no Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado ontem no Palácio Anchieta por Vale e Arcelor Mittal.

No documento elas se comprometem com metas de curto, médio e longo prazos para diminuir a emissão de pó preto e outros poluentes. Juntas, as duas empresas têm 195 pontos a cumprir até 2023. A cerimônia contou com a presença de representantes das duas empresas, do governo do Estado, do Ministério Público Federal e do Estadual.

A Siderúrgica Arcelor Mittal precisa alcançar 139 metas nos próximos cinco anos. Demandas que passam pelos pátios de armazenamento, monitoramento de emissões atmosféricas e também em outros setores de produção da indústria. Na aciaria, por exemplo, onde o ferro-gusa é convertido em aço, a empresa deverá melhorar o armazenamento dos resíduos sólidos para evitar que sejam arrastados pelo vento.

– “Nós estamos estimando, com o conjunto de iniciativas, algo em torno de mais de meio bilhão(de reais), perfazendo um total, junto com esses R$ 574 milhões que a gente já anunciou, de mais de R$ 1 bilhão na iniciativa”, explicou o representante da Arcelor.

– “As fiscalizações é do IEMA. Nós estabelecemos, dentro do termo de compromisso, uma continuidade da Cetesb para aqueles projetos de engenharia mais complexos. A gente ainda vai buscar o conhecimento da Cetesb para saber decidir se as medidas vão ser corretas ou não”, explicou secretário estadual de Meio ambiente e Recursos Hídricos, Aladim Cerqueira.

O termo de Termo de Compromisso Ambiental (TCA) foi elaborado após análises ambientais realizadas pela Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb), contratada pelo Governo do Espírito Santo no final de 2017.”

As coisas não acontecem sob um estalar de dedos, mas há quantos anos os dedos estão estalando, mostrando o crime que se comete contra a população com o lançamento diário de toneladas de pó de minério, afoga gases utilizados no sistema siderúrgico?

O que me preocupa, de verdade, não é o pó preto, mas a incapacidade dos nossos dirigentes. Quantos vão morrer devido a problemas respiratórios na região?

Uchôa de Mendonça

é jornalista

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