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quarta, 14 de novembro de 2018

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Recomeçar, de Carlos Drummonde Andrade; Sísifo, de Miguel Torga

3 de novembro – Dia da Instituição do Direito de Voto da Mulher. 

Celina Guimarães Viana, uma jovem professora, em 1928 dirigiu-se a um cartório de Mossoró e pediu para ingressar na lista dos eleitores, baseando-se na constituição estadual do Rio Grande do Norte, o primeiro estado a regulamentar o sistema eleitoral sem “distinção de sexo”.

 

Hoje é o terceiro dia do penúltimo mês do ano e as paixões deflagradas pelo embate político vão pouco a pouco sendo atenuadas. Dentro em breve será dezembro e com ele o Natal, uma data que nos leva a refletir sobre a vida e o que ela nos propõe. Distante das emoções muitas vezes extremadas que marcaram a disputa política.

O brasileiro é por formação um otimista que não se deixa abater por muito tempo diante das dificuldades a serem sazonalmente superadas, mesmo sendo as crises cíclicas, como nesta fase que vamos penosamente atravessando.

Os poetas Ítalo Campos e Anaximandro Amorim no programa Sociedade dos Poetas Vivos, Rádio Clube da Boa Música – no celular, tablet, computador em www.donoleari.com.br

O pool Portal Don Oleari, englobando a Rádio Clube da Boa Música e o programa Sociedade dos Poetas Vivos , não manifesta postura partidária, entendendo que no processo democrático todas as opiniões devem ser respeitadas, o que não impede sua postura crítica diante de episódios que mancham a vida do País.

A coluna deste sábado pode parecer conter viés político, mas a poesia sempre se situou além do partidarismo, como nos mostra o mestre Mário Quintana (à direita) com seu poema escrito muito antes dos embates eleitorais:

“Nada jamais continua

Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança

De outras vezes perdidas

Atira a rosa do sonho nas tuas mãos distraídas”.

O poeta capixaba Hudson Ribeiro (à direita) fez uma espécie de glote a Mário Quintana, tanto tempo depois dele, em seu poema “Fadiga”:

“É preciso entender

O aviso dos ventos

Que não param de soprar”.

A genialidade de Carlos Drummond de Andrade (à esquerda), poeta e cronista, aborda com admirável lucidez a mesma problemática no texto que reproduzimos abaixo.

No poema escolhido para este sábado que marca a primeira semana do penúltimo mês do ano

– uma escolha conjunta do seu titular e da equipe do Portal Do Oleari, da Rádio Clube

da Boa Música e do programa Sociedade dos Poetas Vivos  –  Miguel Torga aborda,  com seu indiscutível

talento,   tema pertinente ao  que  pretendeu marcar  ao longo deste texto.

Rubens Pontes, de Capim Branco, MG

Recomeçar
Carlos Drummond de Andrade

Mesmo que o hoje te dê um não, lembre-se que há um amanhã melhor, a

certeza de que os nossos caminhos devemos traçar ao lado de quem nos ama;

com amor, paz, confiança e felicidade, é a base para se recomeçar.
Um recomeço, pra pensar no que fazer agora, acreditando em si mesmo, na

busca do que será prioridade daqui pra frente; PLANOS? Pra que os fizemos,

já que o amanhã é mistério? A qualquer momento pode ser tempo, de revisar

os conceitos e ações, e concluir, que tudo aquilo que você viveu marcou,

porém não foi suficiente pra que continuasse.
As lembranças passadas ficam, tudo que vivemos era pra ser vivido , o destino

é como um livro do qual nós somos os autores, ele não vêm pronto, antes de

nascermos ele está em branco, ao nascermos introduzimos as primeiras

passagens, um começo, com o tempo através das escolhas vamos

escrevendo-o página por página, rabiscadas, rasgadas ou marcadas, onde

encontramos obstáculos onde indicarão a melhor hora pra recomeçar, nos

últimos dias de vida concluiremos, e no final deixamos nossas histórias

marcadas no coração daqueles que sempre farão parte de nossa história,

onde quer que estejam.

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na

vida e o mais importante, acreditar em você de novo.

Sísifo

Miguel Torga

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo

Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Rubens Pontes,

jornalista, radialista,

escritor –

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