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quarta, 14 de novembro de 2018

Wilson Côelho numa tradução de Clitoris (em qualquer inocência), poema de Fernando Arrabal – As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica

Fernando Arrabal e Wilson Côelho em Salvador brincando com o telefone.

 

 

Foto na casa de Arrabal em Paris, da esquerda para a direita: Thieri Foulc (escritor francês e Régistrateur de l’Ordre do Collège de Pataphysique); Fulvio Abbate (escritor, cineasta e crítico de arte italiano); Fernando Arrabal (dramaturgo e poeta espanhol); Wilson Coêlho (dramaturgo e escritor brasileiro); Diego Bardón (toureiro pânico espanhol) entre um vinho e outro no almoço com Arrabal em 3 de fevereiro de 2013, Paris.

Capa do livro em que o poema está em diversas línguas e em português (traduzido por Wilson  Côelho)

Clitoris (em qualquer inocência)

Fernando Arrabal, Monte Carmelo 2007

tradução de Wilson Coêlho, Brasil

Janela do mar para a tempestade e suas ondas
Sol da amêndoa para o dardo e a suas trombetas
Lua do crepúsculo para o que é lascivo e seus caprichos
Carne do impudico para o desejo e seus tumultos
Concubina do púbis para o macho e seus males
Pimenteira da fusão para a alcova e suas tigresas
Harmonia da verticalidade para o carnívoro e seus boquetes
Selo de ejaculação para o criador e suas alucinações
Joia do orgasmo para flauta e seus dedos
Pleno de existência para a intimidade e seus ritos
Oficina do amor para o martírio e suas brasas
Coração do espasmo para a ejaculação e a lambida
Flor do furor para o sádico e suas mordidas
Moinho de delícias para a pistola e seus tiros
Margarida de Eros para o libidinoso e seus raios
Nicho de enigma para a penetração e os seus raios
Ostra de adoração para o tronco e seus carnavais
Botão de ligar o cacete e seus caprichos
Rosa de beijos para o adorador e seus charutos
Grelo de loucura para o bulício e suas dileções
Concha de sedução para o precioso e seus hímens
Escudo de delírio para o que é rouxinol e seus caprichos.
Topete de ardor para a fantasia e seus nós
Mandolina de calor para a flecha e suas intrigas
Morango de dilúvio para o delirium e o seus tremens
Ninho de culto para o marquês e suas ataduras
Gaveta de ereção para o clavicórdio e suas paixões
Tufo de sortilégio para a adaga e os seus toques.
Tesouro de febre para o falo e suas queimaduras
Cetro da chama para a cerimônia e seus frenesis.

Fernando Arrabal, Monte Carmelo 2007 (tradução de Wilson Coêlho, Brasil)

Anotação – palavra com dupla grafia: clitóris ou clítoris. Segundo o linguista português Helder Guégués,  “na oralidade a forma «clitóris» se impôs”. https://linguagista.blogs.sapo.pt/clitoris-ou-clitoris-1639201

Wilson Côelho é natural de Baixo Guandu/ES. Bacharel e licenciado em filosofia pela UFES (Universidade Federal do ES). Mestre em estudos literários pela UFES, doutorando em literatura pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, dramaturgo, crítico e tradutor com 16 livros publicados, colaborador de revistas e jornais, Presidente da FECATE – Federação Capixaba de Teatro e membro do Collège de Pataphysique de Paris.

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