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sexta, 18 de janeiro de 2019

Oswaldo Oleari: São Pedro de Itabapoana, Mimoso do Sul, Associação de Letras, Artes e História Maria Antonieta Tatagiba e a comunidade

Domingo, maiomenu 11 horas da manhã ao deixar a pousada Casa Azul, despeço-me de Pupu (*) dizendo:

– Pupu, quero te dizer quitô indo embora contra a vontade.

Saímos bem devagarim e fui subindo pra Cafeteria Ná, pois esquecera de fazer um retratim do simpático e gentil casal Beto e Maria. Fiz a foto, desci pra despedir de Marília Macri de Almeida, do Bistrô Histórico, onde passamos horas agradabilíssimas de sexta pra sábado. Mas, ameacei:

– Marília e Raquel, horinha dessa volto pra saborear aquele caldim de feijão delicioso com aquele torresmim.

Fomos descendo e Lena Mara fazendo algumas fotos. Lá embaixo, passei devagar-quase parando no pedaço calçado com a “pé de moleque”, como chamam lá o trechim logo na entrada do Portal de São Pedro de Itabapoana. E olhem o que ela fotografou.

Armazém Bertonceli 1891

Levamos, Lena Mara, Flávia e eu, pelo menos a primeira hora da viagem comentando tudo que nos encantou e que nos fará voltar muitas outras vezes ao reino encantado de São Pedro de Itabapoana.

Um sábado e tanto

Os trabalhos no sábado foram abertos às 9 horas na sede da Academia de Artes, Letras e História Maria Antonieta Tatagiba, Presidida pelo médico Pedro Antonio de Souza. Ela foi fundada com o objetivo de fortalecer a comunidade no seu intento de tombar o sítio histórico – já tombado pelo Conselho Estadual de Cultura – preservar seu patrimônio e atrair um turismo seletivo e cultural.

Secretário de Cultura do ES João Gualberto Vasconcelos, Maurino, Pedro Antonio, Carlos Miranda e Wilma.

Estavam na Academia pessoas de Bom Jesus de Itabapoana, Itaperuna, Miracema e Campos, todos do Estado do Rio, além Cachoeiro de Itapemirim, Muqui, Vitória e Mimoso do Sul, a sede do município. Presentes também o secretário estadual de Cultura João Gualberto Vasconcelos, acompanhado da mãe, Dona Neusa, e da mulher, Priscila, e o secretário de Turismo, Paulo Renato Fonseca Júnior (à esquerda).

 

Como estava também a deputada Luzia Toledo, sempre presente, e cuja satisfação é dizer que pela segunda vez foi a mais votada em São Pedro de Itabapoana. Luzia, entroutros muitos citados neste textim, vai falar no especial quitô editando pra Rádio Clube da Boa Música.

A secretária de Turismo de Cachoeiro de Itapemirim, Fernanda Maria Merchid Martins Moreira (na foto à direita com o casal Maurino e Vilma em primeiro plano), entregou publicações para o acervo da Academia e Maria Elvira Tavares distribuiu numa sacolinha artesanal um poema de Newton Braga (à esquerda com o CD de Valdeir de Abreu).

O professor Hélio Coelho dos Santos, da Universidade Federal Fluminense e da Academia Campista de Letras, fez uma exposição sobre seu bisavô, José Coelho dos Santos, um médico negro que construiu uma bela história com seu trabalho e hoje é nome de rua em Mimoso do Sul e dá nome à unidade sanitária de São Pedro.

À tarde, numa reunião informal na Cafeteria Ná, num converseio bem aberto,  discutiu-se ideias para fortalecer e atrair o interesse do bom turismo para o bem do sítio histórico.

Apesar de ter dado uns bons pitacos, o que observei foi que muito do que se falou nesse encontro informal já foi pensado, falado, mastigado pelos membros da Academia Maria Antonieta Tatagiba e parte da pequena comunidade, pois muito foi feito ao longo dos últimos tempos nessa direção, como observou Carlos Miranda (foto à esquerda).

Carlos é um dos soldados do pequeno exército pró São Pedro, que tem história, pois é da Família Ribeiro de Castro, da histórica fazenda União, uma das potências da região na áurea época das fazendas de café.

É verdade que houve num tempo também há coisa de doze-quinze anos tentativas de fora tentando trazer atrações que não condizem com a configuração nem com os propósitos saudáveis de manter o nível pretendido pra movimentar a vila.

Houve grandes momentos, por exemplo, quando lá estiveram Alceu Valença, Dominguinhos, Sivuca, Renato Teixeira, entroutros que me lembro citados por Carlos Miranda, um dos cabeça e braços desse trabalho, que comunga com o pensamento geral de não se permitir atividades incompatíveis com o cenário, o espaço, o conceito do principado.

Defendi também a proposta de que São Pedro de Itabapoana deve resgatar os violeiros, sanfoneiro, tocadores de concertina, e disse claramente que não vejo como abrir espaço num santuário assim para o “sertanojo universitário”.

Nada a ver com tudo ali. Nem espaço tem para xous maiores assim. Que façam na sede em Mimoso do Sul, conforme sugeriu a jornalista Lena Mara Leite Gomes (ao fundo, com Luzia Toledo, Flavia Miranda Oleare e Dona Neusa, mãe do secretário João Gualberto), que sugeriu ainda:

– Shows maiores assim, se membros da comunidade sugerirem, ao ser consultada, podem fazer na sede, em Mimoso, e a prefeitura ainda fazer uma graça e transportar os interessados”.

Um foco também, lembramos, deve ser a visitação de estudantes dos vários níveis, começando pelas escolas do município e do entorno e ir ampliando o arco, alcançando também as faculdades e universidades do ES e do Norte do Rio de Janeiro.

Existem ideias muito boas, que ouvi numa conversa de um cidadão com a advogada Flávia Miranda Oleare, sobre o aproveitamento do lixo orgânico e sobre, num futuro próximo, aretirada do posteamento e fiação aérea, também inapropriados prum cenário belo como o de São Pedro.

Observei na reunião o apego, a energia boa, a ideia de posse de tudo aquilo que tem a maioria das pessoas que fazem São Pedro sobreviver e se firmar.

Há exemplos que ilustram isso daí. Marília Macri Almeida (na foto à esquerda com Pupu, menos conhecida como Prudenciana Frade) mora em Bom Jesus de Itabapoana, onde trabalha com bufê para festas. Ela mantém em São Pedro de Itabapoana o Bistrô Histórico, um lugar agradável, de bons petiscos e boa comida.

Em todos os eventos de fim de mês ou em especiais, Marília está lá, trabalhando muito e muito feliz da vida. Pelo que vi ela tem uma auxiliar, a Raquel, que também sabe lidar com gente, atenciosa e gentil.

Pupu (à esquerda com Priscila Vasconcelos na lojinha de Artesanato da Casa Azul) – (*) Prudenciana Frade Pinto Ciciliotti – mora em Cachoeiro de Itapemirim. Desde que conheceu a vila, encantou-se e plantou lá a Casa Azul, uma pousada agradável, cheia de mimos, onde ela também exibe o trabalho de artesanato dela e da irmã, do marido, e de um pintor local que trabalha imagens locais.

Pupu com outros dois cachoeirenses, Higner Mansur e Maria Elvira Tavares da Costa. À esquerda, o diploma que ela recebeu da Assembleia Legislativa do ES.

Em todos os eventos, Pupu se muda pra São Pedro. Na pousada, ela trabalha muito – oferece um delicioso e generoso café da manhã. Perguntei: “quantas pessoas trabalham com você, Pupu”? Ela respondeu:

– Trabalho eu e Nossa Senhora de Nazaré, que me ajuda.

Beto e Maria Bertonceli (à esquerda) fizeram de um ex-cartório uma cafeteria arrumada: Cafeteria Ná, onde o cliente informa o que consomiu na hora da conta. Não se anota nada. E Beto – suplente de vereador, depois de 4 mandatos – diz que não tem “tombo”.

Estranhei. Uma cafeteria pra abrir só nos fins de semana e nos eventos? Maria rebate no ato:
– Abrimos todos os dias às 9 horas da manhã.

São causos só pra exemplificar que tem muita gente que vive de paixão por São Pedro de Alcântara de Itabapoana.

30 anos de São Pedro

Médico, líder nato, dinâmico, incansável, Pedro Antonio de Souza é outro que vive de paixão pelo sítio histórico. Ele e seu bando da Academia Maria Antonieta Tatagiba são oscavaleiros da batalha pela preservação e inscrição de São Pedro de Itabapoana num mapa turístico especial, que se desenvolva e gere renda para a comunidade.

É um animador social com grande energia e capacidade de unir pessoas, ideias, propostas, num trabalho sistemático nestes tantos anos.

Pedro Antonio de Souza revela que em 1986 deram entrada ao pedido de tombamento de São Pedro no Conselho Estadual de Cultura. Agora, querem mais: o tombamento pelo IPHAN.

São muitas as demandas, como diz o prefeito Angelo Guarçoni, que me disse, entroutas coisas, que a prefeitura não tem recursos, por exemplo, pra realizar o programa de retirada do posteamento e fiação área da vila.

Mas Pedro Antonio (na foto com o prefeito Guarçoni), os membros da Academia Maria Antonieta Tatagiba e membros da comunidade não arrefecem.

A cada semana, a cada evento de final de mês, renovam-se energias e disposição pra continuar em busca dos objetivos.

 

Na reunião de sábado estiveram os secretários de Turismo, Paulo Renato Fonseca Júnior (à direita), e de Cultura, João Gualberto Vasconcelos.

João lembra os imóveis restaurados com apoio do Estado, dois deles em plenas obras. Estava lá também a deputada Luzia Toledo, que se orgulha em dizer que foi a mais votada de São Pedro de Itabapoana pela segunda vez, e sempre apoiou as demandas da Associação Maria Antonieta Tatagiba e da comunidade.

Como tá esticando um tanto e ainda tem um tantão pra contar, quero lembrar aos confrades e às diletas senhoras que a Rádio Clube da Boa Música vai colocar no mundo – sitá na inferneti, ora, tá no mundo, nememo? – muitas entrevistas que fiz em São Pedro de Itabapoana. Vou anunciar em todas as redes e em muitos saitis e grupos dias e horários para que todos possam acompanhar.

Fecho este textim – quijtá ficando textão – lembrando a música da solenidade e a da noite de sábado.

Como faz questão de anotar o comandante Pedro Antonio de Souza (acima, à esquerda, com Giovania Valiati, que apresentou o Quarteto de Cordas na Academia – no programa da Rádio CBM ela fala do belo trabalho desenvolvido em Cachoeiro de Itapemirim), a dupla Jean e Giovani (à esquerda) e o conjunto de Valdeir de Abreu são são formados na comunidade. Fui presenteado com um CD do Valdeir, que logo, logo, estará na programação da Rádio Clube da Boa Música.

Jean tinha 16 anos e Giovani tinha doze quando encontraram o rumo da música. Perguntei se já arranhavam uma viola e uma sanfona, Giovani responde rápido.

– Não, a gente não sabia nada, começamos do zero.

Ao ouvir a jovem dupla à noite, vi que eles são bom de repertório, pois fincam o pé na música caipira de raiz. Tocaram vários temas de Tião Carreiro, um  dos grandes nomes da moda de viola, do batidão e do pagode. Viola, sanfona, roça, “um cafezim plantado e um bocado de banana”, dizem eles. Eles vão falar também no programa especial da Rádio CBM.

Neste finzim, quero cumprimentar o casal Javerson e Sheila Brasil (à equerda), de Bom Jesus de Itabapoana (do lado de lá, dizem), a Cintia Lara, de Miracema, e o professor Hélio Coelhos Sansto, da Universidade Federal Fluminense e da Academia Campista de Letras.

Oswaldo Oleari,

radialista, jornalista,

publicitário

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado / Morrer Moça, de Maria Antonieta Tatagiba

– http://www.donoleari.com.br/2018/05/11/aqui-rubens-pontes-meu-poema-de-sabado-morrer-moca-de-maria-antonieta-tatagiba/

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