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quarta, 21 de agosto de 2019

Aqui Carlos Fernando Lima: Lagoas, ex-lagoas; Alfredo Chaves

 

 

 

 

Minha mãe tinha sempre um maço de capim bento pra ascender nas tempestades de raios, trovões e chuvas.

Mas tinha que ser daquelas fortes. Os raios eram meus tormentos.

Sonhava ter um para-raio instalado na casa da Jacutinga, onde nasci e vivi parte dos 14 primeiros anos de vida.

A novidade corria boca-a-boca em Jerônimo Monteiro, nas comunidades da Gironda e Rancharia e nas fazendas Velha e da Santa Cruz.

Olhava aquele “espetinho” frágil, montado numa peça de madeira, conectado a um fio, enterrado na terra e imaginava, isto não funciona como o capim bento da mãe Zilda! É só o temporal e

ngrossar pra fumaça acalmar São Pedro! As chuvas tinham datas predefinidas.

Começavam em setembro, vindo dos lados de Muqui. Só mais tarde entendi a importância do vento sul na sua formação. Era tempo de plantar, repor o lençol freático e encher as lagoas. Tinham duas no meu caminho. Uma próxima de casa e a outra no primeiro platô da Serra do Papudo, ao fundo nesta foto, sem identificação de autoria, publicada no grupo Jeromenses Ausentes e Presentes.

A última era maior e transbordava, alagando um dos poucos espaços planos, transformado em campo de peladas. Mas a água é uma forma de vida exuberante. As lagoas enchiam, se credenciando como berços naturais dos sapos, pererecas e, claro, fantasmas! Não tive o privilégio de encontrar um pra prosear. Ou disparar o coração. Ou ainda sair numa corrida sem fôlego, olhando à frente, pedindo pra chegar no terreiro de casa. Mas elas se materializaram em lagoas fantasmas.

Alfredo Chaves
Orobó: uma comunidade indígena rebelde no Espírito Santo
https://www.cafehistoria.com.br/comunidade-indigena-rebelde/

Em meados do século XVIII, povoado capixaba serviu de exemplo de resistência para comunidades indígenas brasileiras que viviam a opressão jesuíta (Por Luís Rafael Araújo Corrêa).

A curiosidade agradece
Não tinha investido na informação de quem era Alfredo Chaves, município do ES, um dos berços da colonização italiana por aqui. Encontrei na leitura atual A abolição na imprensa e no imaginário social do Juremir Machado da Silva, página 83.

“Anchieta e Nóbrega na cabana de Pindobuçu”, quadro de Benedito Calixto à direita (1927). Acervo do Museu do Ipiranga. A pregação de jesuítas como Anchieta e Nóbrega no Brasil foi uma inculturação recíproca entre a influência do cristianismo para as crenças e costumes dos nativos, utilizando elementos da cultura indígena como uma melhor forma de ensinar a doutrina cristã para eles.

Alfredo Rodrigues Fernandes Chaves era engenheiro e foi Ministro da Colonização, Marinha e da Guerra no Império. A homenagem dos capixabas a ele se deve a sua participação na “expulsão dos índios que atrapalhavam a vida dos colonos”. Ele veio à região em 1878, enviado pelo imperador D. Pedro II. Alfredo Chaves formava a bancada escravagista que votou contra a Lei Áurea.

Número 6

Tenho predileção pelo número 6. A duplicidade, como idade, era a oportunidade pra me tirar e dançar, bastando inverter a grafia do último 6.

As circunstâncias da vida impossibilitaram o bailar comigo, insuficiente, no entanto, pra deixar de gostar da dança, da música e de viver.

Por todos os lugares, como andante em Manguinhos, da foto do amigo Vitor Nogueira. Ou de agora na Esquina do Vento/Marataízes, num cavalo ferro.

A fantasia deste furdúncio teve visitas, telefonemas e cumprimentos nesta linha, convencionada de tempo. Um beijo estalando no coração de todas e todos.

Carlos Fernando Lima, jornalista – Da Esquina do Vento, Marataízes, Litoral Sul do ES

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