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segunda, 22 de julho de 2019

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Natal, Fernando Pessoa; Poema de Natal, Vinícius de Moraes; História Antiga, Miguel Torga

 

Calejados por muitos anos de janela, os profissionais de imprensa do grupo de comunicação

do Portal Dom Oleari, até por isso, se mostram céticos ou cautelosos quando a

divulgação de fatos contendo escândalos é passível de confrontamento e consequente confirmação ou desmentido.

A informação, qualquer informação, capaz de gerar perplexidades, a favor ou contra, para todos nós

só deve ser levada ao público leitor ou ouvinte pelos órgãos de imprensa

quando previamente comprovada e aberta para o chamado contraditório.

Nunca, porém, em mero tom de escândalo para atrair leitores ou provocar audiência.

Como se dizia em tempos antigos, mais sadios, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Nesse período pré natalino, o episodio de Abadiânia, em Goiás, sacudiu o País com a violência de um

tsunami inesperado..

Assim, não mais que de repente, uma entrevista concedida a um canal de TV brasileira cruzou

os sete mares como um veleiro perdido em meio a uma tempestade, sem bússola e sem timão, e um homem,

tido como portador e intérprete do fenômeno que se manifesta no mistério que vem do além,

está sendo colocado na fogueira da inquisição de Torquemada.

O Portal, numa posição de expectativa, não acena sim nem responde não até que os fatos sejam

comprovados ou desmentidos. Aí, sim, e então, nossa posição será emitida, sem medo e sem perdão.

Mas, o que no momento afaga nossa sensibilidade é este o último sábado antes do Natal, quando os corações devem,

em pausa, estar abertos para saudar o nascimento de um Deus menino que iria abrir janelas para clarear o mundo

e instituir para todos o sentimento da fraternidade e do perdão .

E esses mesmos profissionais, vinculados ao Portal Don Oleari, à Rádio Clube da Boa Música e à

Sociedade dos Poetas Vivos, irmanados com o sentimento dos nossos possíveis leitores e ouvintes,

escolhemos três poemas para leitura neste sábado:

“História Antiga” Miguel Torga,

“Natal” Fernando Pessoa

e “Poema de Natal”, Vinicius de Moraes .

Nossos votos de bom Natal estão marcados pela voz insuperável de Bing Crosby. em “Silent Niight”
que a Rádio Clube da Boa Música aponta como imortal.

Rubens Pontes, em vídeo-conferência

Capim Branco, MG.

Natal

Fernando Pessoa

Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
‘Stou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

Poema de Natal

Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente

História Antiga

Miguel Torga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.
Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

Rubens Pontes, radialista,

jornalista –

Linki pra ler Passos, Saltos & Quedas, de Rubens Pontes.

http://online.anyflip.com/mitk/xjqj/mobile/index.html?fbclid=IwAR39mt-wlzHGKBAeTSG7cZOD4etEr38ocVyHkE-rPKkwvhpfI8qfvf7khLE#p=10

 

 

 

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