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domingo, 19 de maio de 2019

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Ano Novo na Cor da Paz, Carlos Drummond de Andrade

Gregório III, 226° Papa da Igreja Católica

 

A velha e tradicional ” folhinha” que assinala o ano de 2018 será substituída por uma nova, para nos dizer que mais uma etapa

do tempo ficou para trás. Isso porque um Papa chamado Gregório XIII assinou, no dia 24 de fevereiro de 1582, a bula que deu origem

ao Calendário Gregoriano de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 20 segundos, uma precisão que os Maias não haviam conseguido.

Passamos a ter, desde então, 3 anos de 365 dias, seguidos por 1 de 366, que denominamos bissexto. Mas é bom assinalar que, ainda assim,

de 400 em 400 anos, 3 bissextos são suprimidos.

A adaptação de alguns países ao Calendário Gregoriano demorou algum tempo. A Grã-Bretanha e suas colonias, como em outros assuntos mais atuais,

só o adotaram em 1752. O Japão em 1873, a Russia em 1923 e a China somente em 1949.

O ano novo, com a adoção do calendário gregoriano, já então universal, passou oficialmente para 1º de janeiro, com exceção dos calendários

judeu e muçulmano. É assim que o nosso 2018 corresponde para os judeus ao ano de 5798, iniciado com a criação do homem.

Para os muçulmanos, este é o ano de 1438 , contado a partir de Hégira, a saída de Maomé de Medina para Meca, em 622 DC.

Peregrinos muçulmanos circulam a Caaba enquanto rezam dentro da Grande Mesquita na cidade de Meca, Arábia Saudita (Foto: AP).

O problema no entanto, nem com todas as mágicas, é que o nosso calendário ainda traz erro em relação ao ano solar verdadeiro: – 25, 96768 segundos por ano, o que implicará que estaremos , no ano de 4908, adiantados um dia inteiro. Quem for Papa no futuro,,

daqui a 1.890 anos, certamente equacionará o problema, com ou sem a física quântica.

O que importa a nós, meros mortais, é que 2019 abra portas para um período de tranquilidade que nos permita voltar a ser otimistas

vendo, também como participantes, a recuperação de tantas esperanças perdidas nessa difícil fase da vida que, esperamos, foi deixada para trás..

Esta coluna, escrita com a cumplicidade das empresas de comunicação do Portal Don Oleari, voltada para a leitura de poemas .

voltados para embalar corações sensíveis, ás vezes se perde em divagações que pretendemos tenha alguma relação

com o espírito que a inspirou.

Último sábado do ano de 2018 – e que ano –  recorremos a um poeta atemporal para o qual tempo pode ser, como para Santo Agostinho, mera

abstração. Seus versos, como pretendemos para nossa alma, são imortais.

Carlos Drummond de Andrade in “Ano Novo da cor da paz”.

O Portal Don Oleari, a Rádio Clube da Boa Música, Sociedade dos Poetas Vivos e Coluna Aqui Rubens Pontes: Poema de Sábado, também por ela, auguram feliz ano novo para todos os nossos amigos, que desafetos não cultivamos.

Rubens Pontes
Capim Branco, MG

 

Ano Novo na Cor da Paz

Carlos Drummond de Andrade

 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido).

Para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior).

Novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
Nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

À direita, acima da capa do livro de Rubens Pontes, Desenho de Drummond com a dedicatória, 1970.

Rubens Pontes, jornalista, escritor – Linki pra ler Passos, Saltos & Quedas, de Rubens Pontes.

http://online.anyflip.com/mitk/xjqj/mobile/index.html?fbclid=IwAR39mt-wlzHGKBAeTSG7cZOD4etEr38ocVyHkE-rPKkwvhpfI8qfvf7khLE#p=10

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