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tera, 12 de novembro de 2019

Alencar Garcia de Freitas – Metais preciosos para Portugal, lama sobrando para o Brasil

 

 

 

Das Minas Gerais vinham, no tempo do Império, o ouro e a prata que eram mandados para Portugal e para o mundo.

Na atualidade, vêm das Minas apenas as lamas, ora de
Mariana, ora de Brumadinho, ferindo de morte não só olhos d’água, lagos e rios, como também um número assustador de irmãos nossos, parte deles passando para o Brasil e o mundo cenas de horror de despidos, enlameados, tentando sobreviver em meio a tragédias como a de Mariana em 2015 e agora a de Brumadinho.

Desastres ambientais que vão ficar para sempre no imaginário dos brasileiros.

Quando a Justiça do Brasil bloqueia – ou tenta bloquear – 11 bilhões de reais da Vale,como que dando uma satisfação à sociedade de que o poder público está agindo
preventivamente em favor do Estado e das vítimas dos desastres – o que sem dúvida
tem que ser feito mesmo – só que ações dessa natureza lamentavelmente não trazem de volta as vítimas fatais e tão pouco trazem de volta a paz e a segurança dos
moradores de cidades e estados tais como Bahia e Espírito Santo, banhados pelo Rio São Francisco (acima) e pelo Rio Doce, à direita.

No caso do Espírito Santo, o governador Renato Casagrande, em reunião com suas
equipes de governo, está empenhado em ter uma resposta satisfatória quanto a
efetiva e competente fiscalização de barragens localizadas na bacia do Rio. A
Secretaria do Meio Ambiente do nosso Estado está super atenta, com os olhares
voltados para ações dos órgãos de Minas e também dos órgãos federais responsáveis
pelas gestões ambientais.

Não estamos aqui para brincar num momento de tragédias como essas, mas,
convenhamos, Portugal, que no tempo do Império recebia tão bem o ouro e a prata
procedentes das Minas Gerais, enriquecendo, assim, o tesouro lusitano, não seria esse
o momento mais oportuno para ajudar a socorrer os brasileiros, vítimas de tais
desastres?

Se os portugueses ficaram com o bônus dos metais preciosos naquele tempo, talvez
devessem ficar agora com parte do ônus dessas tragédias.

O ouro e a prata ficaram sempre com eles e nós com as lamas? Não é justo!

Alencar Garcia de Freitas

é jornalista e aposentado

 

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