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sexta, 15 de novembro de 2019

Pedro Antonio de Souza reverencia Maria Antonieta Tatagiba – Rubens Pontes homenageou a poeta em dezembro 2016

Jornalista Rubens Pontes publicou sua coluna dia 3 de dezembro de 2016. Leia seu texto e poema depois do texto de Pedro Antonio de Souza, a seguir:

 

Em 13 de março de 1928 faleceu aos 32 anos a grande poetisa capixaba MARIA ANTONIETA TATAGIBA, deixando 3 filhos menores, viúvo o Dr. José Vieira Tatagiba e seu único livro publicado FRAUTA AGRESTE (1927), primeiro a ser publicado no Espírito Santo, escrito por uma mulher.

Deixou também uma enorme lacuna no município de São Pedro do Itabapoana (1890 a 1930), onde nasceu e morreu, bem como no universo cultural capixaba. Muito admirada e respeitada em sua época, volta a ter grande brilho a partir dos anos 2000, com o reviver de sua produção poética.

Hoje, 13 de março de 2019, são 91 anos do seu falecimento. A Academia MARIA ANTONIETA TATAGIBA – Artes – História – Letras, criada no Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana, em Mimoso do Sul/ES, em sua homenagem e com o objetivo de vivificar legados, propõe o aprofundamento do conhecimento de sua obra e vida, parabenizando as instituições e pessoas que assim já procedem.

Sua vida nos revela grande dinamismo, uma visão à frente de sua época, brilhantismo como educadora e, mais que tudo, uma inspiração para todos nós.

MARIA ANTONIETA TATAGIBA descansa em paz, esta mesma PAZ que nos presenteia com a beleza de sua produção poética.

Pedro Antônio de Souza

Presidente da Academia Maria Antonieta Tatagiba – Artes, História e Letras de São Pedro de Alcântara de Itabapoana, Mimoso do Sul/ES.

O autor em foto no recente carnaval de Muqui, Sul do ES.

 

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado / Morrer Moça, de Maria Antonieta Tatagiba

Publicado em 3 de dezembro de 2016

Maria Antonieta Tatagiba, nascida em setembro de 1895 em São Pedro do Itabapoana, atual Mimoso do Sul, foi a primeira
mulher capixaba a publicar um livro e a gerenciar um jornal no Espírito Santo.

Patrona de uma das cadeiras da Academia Espírito-santense de Letras, teve reconhecida sua poesia pelo crítico Francisco Aurélio Ribeiro (à direita) como “bucólica panteísta, neo-simbolista, pouco representativa da eferverscência modernista da época em que viveu”.

Ao revés, deixou marcada a alma simples, neoarcádica de quem se dizia uma “tocadora de frauta”, título de um de seus livros.

Neo-simbolista foi Maria Antonieta Tatagiba (1895-1928); publicou, em 1927, seu único livro, Frauta agreste, que se destaca, pelo domínio tanto da técnica como da emoção, entre os livros de poesia escritos no Espírito Santo na primeira metade do século.

Mendes Fradique (*) escreveu sobre Maria Antonieta e seu livro uma crônica em que, no estilo derramado da época, lamenta que Frauta Agreste tenha passado inteiramente despercebido à crítica nacional. Diz ele:

– “Maria Antonieta morreu num recanto de província, longe do cartaz da livraria, longe do bracejamento dos “après-midi”, longe da intriga dos grupinhos literários; morreu para as bandas da terra simples, entre a paisagem que tão bem cantou em sua Frauta agreste, entre as cores ameníssimas das aquarelas do campo, que tão magistralmente esbateu, nos seus poemas, nas suas baladas, nos seus sonetos. E não pudera morrer em melhor sítio. Ela que fez da natureza o seu manancial de emoções estéticas; ela que teve nas coisas de seu torrão natal outros tantos motivos de arte sua; ela que sorria à luz louçã das manhãs serranas, e tanta vez chorou a melancolia das tardes chuvosas; ela que hauria no oxigênio quente dos arvoredos a fragrância de seu estro encantador; ela que viveu a poesia dos vales sertanejos e pulsou com a natureza aos mesmos latejos da mesma seiva — não poderia, morrendo, ser mais feliz do que foi, pois morreu dentro da mesma vida, entre tudo quanto na vida mais havia amado.

(*) Pseudônimo do médico e escritor capixaba José Madeira de Freitas (1893-1944).

MORRER MOÇA

Maria Antonieta Tatagiba

“Os amados dos deuses morrem novos” – Byron

Que bom morrer quando se é moça e amada!
Indiferente, forte,
Triunfar de quimeras enganosas
E ir dormir entre rosas
Frias rosas na face macerada
O alvo Sonho da Morte!
Morrer quando se é moça é dita imensa
Às eleitas cabida…
A ventura é perfume que se evola
E quase não consola…
Tão ligeira, tão leve, não compensa
Os espinhos da vida.
Morrer moça é morrer quando se deve!
É ser no último arranco

Da alma que foge, um lindo sol de estio E, bem longe, o sombrio
Espetro da velhice a triste neva
Sobre o cabelo branco.
Morrer moça… É assim que vou morrer!
É a boca que, fremente,
Beijaste em horas de Paixão e Sonho
Num túmulo tristonho
Breve irá se ocultar no florescer
Do verão mais fulgente.

rubens pontes
jornalista,
poeta,
escritor

– Passos, saltos & queda – livro de Rubens Pontes no linki abaixo:

https://rubenspontes.com.br

 

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