Menu

segunda, 20 de maio de 2019

Aqui Rubens Pontes; Meu poema de sábado – “Despertar do sertão”, de Pádua Muniz e Elpídio dos Santos

 

A sugestão foi levantada durante o “brainstorning” das terças-feiras na sala de
reunião do Portal Don Oleari e Rádio Clube da Boa Música.

Este colunista participou do encontro, desde Capim Branco, MG, pelo milagre da vídeo conferência, diante do cenário à direita, visto da minha varanda.

Para quem não sabe, o “brainstorning” – tempestade de idéias – consiste numa espécie de mesa redonda

destinada a desenvolver nas agências de propaganda ou de comunicação novosprojetos, a buscade um denominador comum para sua efetivação. Nela, nenhuma ideia é desprezada ou sujeita a críticas.

De repente, chegou até a sala o som de uma composição musical , meio distante, mas o suficiente para provocar um silêncio de quase reverência interrompendo a fala de quem tinha a palavra. A Rádio Clube da Boa Música dava inicio à sua programação das 10 horas.

O fato e o feito geraram unanimidade e todos se voltaram para o colunista em tom de interrogação.

A quase 500 quilômetros de distância geográfica “captei” a mensagem, entendendo
que o tema para o Poema do Sábado

deveria associar versos a versos, isto é, poemas e composições.

O Poderoso Chefão tirou da estante um livro, “O palácio da Memória”, de Nate DiMeo (foto, Editora Todavia) e leu

com a voz clássica dos veteranos locutores de Rádio:

– “Mesmo passível de controvérsias, Guglielmo Marconi é o pai do rádio, celebrado no mundo todo, no seu tempo jantando com presidentes, reis e capitães da indústria e com lindas mulheres. Mussolini, o ditador italiano (com Marconi, à esquerda da foto), foi padrinho do seu segundo casamento”.

Fechou o livro e continuou dizendo que Marconi estava com mais de 60 anos, após
seu quarto ou quinto

ataque cardíaco, quando se mostrou convicto de que o som nunca morre.
Convenceu-se de que o som vivia

para sempre, c

om suas ondas permanentemente voando, mas ficando mais fracas a
cada momento.

Só que, até então, não havia ele criado ainda um aparelho de rádio capaz de
sintonizar aquele sinal.

Estabeleceu em linha telefônica os sinais de rádio e recebeu por isso, em 1901, o
Prêmio Nobel de Física.

A transmissão de voz só ocorreu em 1921 e, em ondas curtas, em 1922.

Numa disputa judicial, a Suprema Corte os Estados Unidos reconheceu, em 1943, Nikola Tesla (foto à esquerda) como o verdadeiro inventor do rádio, concedendo-lhe a patente correspondete.

A Exposição foi inaugurada em 7/Set/1922 com uma parada militar da qual participaram marinheiros americanos dos encouraçados Maryland e Nevada; japoneses dos encouraçados Iwate, Isuno e Azuma; ingleses dos encouraçados Hood e Repulse; argentinos do encouraçado Moreno; uruguaios do cruzador Uruguay; portugueses dos cruzadores República e Carvalho Araújo e os alunos do Colégio Militar do México.

O Rádio chegou ao Brasil com uma transmissão durante a Exposição do Centenário da Independência. com a execução de O Guarani, de Carlos Gomes.

A primeira emissora brasileira foi a PRA-2, Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, criada pelo lendário Roquete Pinto, foto à esquerda diante do primeiro transmissor da PRA-2.

No nosso Espírito Santo, a pioneira foi a Radio Clube do Espírito Santo, PRI-9, instalada no dia 9 de setembro de 1933.

Foto do livro sobre a Rádio Espírito Santo, de Danilo Souza e De Mingo: da esquerda para a direita, Darly Santos (Mickey), Jarbars Rabaioli, governador Carlos Lindenbergh, Duarte Júnior, Rômulo Conde.

Disse isso e nada mais acrescentou. E nem precisava.

Volto, então, à coluna Meu Poema de Sábado, implicitamente coagido a me valer do tema, socorrido

 

pelo pessoal da Rádio Clube da Boa Música, que, de tudo dito, tudo sabe.

O poema é a let

ra de uma das primeiras composições transmitidas por uma
emissora de rádio no Brasil.

e vale sobretudo pela curiosidade.

“Despertar no Sertão”, com Cascatinha e Inhana. Na foto à direita, a gravação em disco de 78 RPM (rotações por minuto), antecessor do LP (long playng), de 33 RPM. Ofereço a vocês, colecionadores, um linki que mostra todas as gravações da dupla em 78 rpm, em Compactos, em LPs e em CDs:

https://www.recantocaipira.com.br/duplas/cascatinha_inhana/cascatinha_inhana.html

Rubens Pontes
Capim Branco, MG

“Despertar do sertão”, de
Pádua Muniz e Elpídio dos Santos

A barulheira incessante da cascata
Um sabiá cantando alegre lá na mata
O sol que nasce por de trás do verde monte
Unindo a terra com o céu, no horizonte
A natureza sempre alegre e tão festiva
Num prazer ruidoso, comunicativa
O arvoredo com a música dos ninhos
Forma um poema à beira dos caminhos.

Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai,
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai,
Bom dia irmão!

Já é manhã, as aves enamoradas
Falam de amores no alto das ramadas
O caboclo, ligeiro deixa a palhoça
Pega na enxada e vai cuidar da sua roça
A caboclinha tão bonita, um coração
Corre toda aflita cuidar da criação
Tudo se agita em doce harmonia
Assim no meu sertão começa um novo dia.

Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai
Bom dia irmão!

Rubens Pontes

jornalista, escritor

linki livro rubens pontes 2

– Passos, saltos & queda – Linki pra ler Passos, Saltos & Quedas, de Rubens Pontes.

http://online.anyflip.com/mitk/xjqj/mobile/index.html?fbclid=IwAR39mt-
wlzHGKBAeTSG7cZOD4etEr38ocVyHkE-rPKkwvhpfI8qfvf7khLE#p=10

Toada de Elpídio dos Santos e Pádua Muniz. Gravação Todamérica – TA-5.529 – 1955 (foto do disco lá em cima, ao lado do título da música). A música brasileira tocou na Rádio BBC de Londres. Rolou que foi a primeira a tocar na Rádio BBC de Londres. Mas, os cronistas registram que Dalva de Oliveira esteve em Londres em 1953 e levantam a dúvida se a BBC não teria tocado músicas de Dalva, que fez muito sucesso nessa época com o baião Kalu, gravado por ela com a orquestra de Roberto Inglês.

 

Comentários