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sbado, 16 de novembro de 2019

Cláudio Lachini: A origem do Computador (inventado pelo capeta)

Publicado em 4/out/2016 – Repeteco: em 21 de agosto de 2013

– “Se é mal, por que não tentar?”

– disse o Diabo maior, esfregando as mãos.

Belfagor e o computador

 

– “Chefe, criarei um engenho capaz de atormentar homens e mulheres por todo o sempre”, prometeu o desastrado capeta.

Belfagor, o demônio enviado por Lúcifer a Florença no século XV e fracassado em
sua tarefa de destruir a família e as virtudes, segundo o relato de Niccolò
Machiavelli, cumpriu quatro séculos de penas infernais.

Supercomputador (foto) da Universidade de São Paulo (USP)faz 20 trilhões de operações por minuto.

Não gozou de nenhum benefício de redução da pena, que é a queimação eterna.

Lúcifer não retrocede jamais.

A pior pena do Inferno, sabem os entendidos, não é a queimação perene, de umfogo que não se extingue como a paixão: é a rotina, a chama uniforme, sem brisa ou labaredas, sem cinzas e sem fim.

Pois foi aquela rotina infinita que, um dia, cumpridos os quatro séculos de expiação,
levou Belfagor a Lúcifer, animado com nova proposta de baixar à Terra, ao centro do
Poder, que se havia deslocado de Florença para Washington, nos Estados Unidos da
América.

– “Chefe, criarei um engenho capaz de atormentar homens e mulheres por todo o
sempre”, prometeu o desastrado capeta.

– “Seu nome vem do ato de fazer contas e da condenação eterna infligida por Deus
aos bichos de duas ou mais pernas, a dor”, explicou Belfagor a Lúcifer, esfregando
as mãos de contentamento, enquanto assoprava-lhe o substantivo ao ouvido.

– “Computador! Belo nome!” Aquiesceu o diabo maior e deixou escapar, alto e bom
som, para que toda a diabada em volta de seu trono ouvisse:

– “Se é mal, por que não tentar?”

Claudio Lachini
é jornalista e escritor

 

Nota do Editor Chefão:

Os dois últimos livros de Claudio Lachini são
“Sperandio” e “Vasco – Memórias de um precursor da globalização”, ambos
romances históricos que se misturam à história real do período da colonização do
Espírito Santo (o primeiro) e pós descobrimento do Brasil (o segundo).

Pitaco do Oleari

Dou um repeteco pro texto delicioso, cheio de simbolismos, pois comungamos, o
Cláudio e eu, dos mesmos sentimentos quanto ao que sempre tratei de trolha
eletrônica bilgueitiana istivijobiana. Costumávamos dizer: “esse trem é realmente
coisa do Coisa Ruim”.

Muitos séculos depois a invenção do Capeta foi aperfeiçoada por uns caras aí
chamados Bil Gates, Steve Jobs, entroutros, certamente muito familiarizados com o
coisa ruim relatado por Cláudio Lachini.

Um aviso aos “cabeção” quissão só de “curtir retratim” no maledeto feissibuqui – O
Zuckeberg também devidisê aparentado do Belfagor: textim pra ler e se deliciar com
a bela fábula do nosso sempre saudoso Cláudio Lachini (Oswaldo Oleari).

 

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