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sbado, 15 de junho de 2019

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Metamorfose, de Ovídio, poeta romano

Ovídio, o poeta dos amores

 

“Aqui jaz Nasão, cantor de suaves amores, que pereceu por causa do próprio engenho” (Epitáfio de Ovídio).

 

Estátua de Ovídio em Constança, a cidade onde ele morreu.

 

 

Públio Ovídio Naso, poeta romano, o imortal  Ovídio que o passar dos séculos não fez esquecer, nasceu no ano 43 a. C. em Sulmo, atual Sulmona, em Abruzos (Itália) e morreu no ano 17 D. C. aos 59 anos, em Tomos, hoje Kustendje (Constança), na Romênia, para onde foi exilado oito anos antes de morrer, por motivos até agora não totalmente esclarecidos.

Uma viagem à Grécia com seu amigo Pompeu, também poeta, levou-o a extasiar-se com as associações mitológicas entranhadas na paisagem helênica.

Após essa experiência, Ovídio decidiu deixar a breve carreia administrativa a ele imposta pelo pai, para dedicar-se à poesia. Sua primeira recitação ocorreu por volta de 25 a. C., quando tinha dezoito anos. Passou desde então a conviver com poetas como Propércio e o já então famoso Horácio (à direita).

Ovídio mantinha uma vida boêmia, graças a uma renda razoável, e,ainda jovem, tornou-se admirado como grande poeta, desfrutando de intimidade com a família do imperador de Roma, Otávio Augusto.

Mas incompreensivelmente, exatamente quando seu prestígio chegou ao auge, um decreto com o lacre do imperador ordenou  seu desterro, sob a acusação de imoralidade pela edição de  seus livros A Arte de Amar (ArsAmatoria), um tratado sobre a sedução; Cartas das Heroínas (Epistulae Heroidum), coletânea de supostas cartas que os grandes amantes das lendas gregas trocaram entre si; e Amores (seleção de elegias amorosas em cinco volumes).

As Obras formavam três grandes coleções de poesia erótica, considerada imoral.

Aos 50 anos, o poeta foi banido de Roma. O exílio lhe causou profundo desgosto (registrado no seu Tristia, poema escrito no exílio) até o final de sua vida, morrendo nove anos depois.

Foi nessa época que Ovídio escreveu a sua obra mais famosa: Metamorfoses (Metamorphoses), um poema hexâmetro mitológico influenciando, com seus versos, a revitalização da poesia bucólica e mitológica do futuro Renascimento, e até autores como Dante, Milton e Shakespeare.

Entre os anos II e VIII  da era Cristã, Ovídio escreveu: Os Fastos (Fasti), uma coleção de 12 cantos (livros) – dos quais se conservam seis – dedicados cada um deles a um mês do ano, nos quais se comentam as festas romanas e suas origens lendárias.

Metamorfoses (Metamorphoses), poema narrativo em 15 cantos (livros), é uma coleção de lendas, sendo a maioria de origem helênica, em cada uma das quais ocorre alguma metamorfose. Foi composta em versos de seis sílabas (hexâmetro dactílico) métrica comum aos poemas épicos de Homero e Virgílio. As histórias são dispostas em ordem cronológica e cada uma serelaciona com a precedente, num amplo afresco mítico que abrange desde a criação do mundo até a divinização de Júlio César e termina com uma homenagem a Augusto.

Apesar da complexidade do tema, Ovídio dotou os personagens divinos de emoções plenamente humanas, como, por exemplos, Medeia, tragédia da qual só restam dois versos.

Suas últimas obras foram as elegias Tristes (Tristia), uma obra melancólica e comovente, repleta de reflexões e mágoas do exílio. Epístolas do Ponto (Epistulaeex Ponto), na qual faz veementes protestos de inocência.

O poeta aventurou-se a prever nos últimos versos de Metamorfose que seu poema lhe sobreviveria e seria lido enquanto o nome de Roma fosse conhecido:

Terminei, enfim, esta obra, que nem a ira de Júpiter, nem o fogo,

Nem o ferro, nem o tempo devorador poderão destruir.

Quando aquele dia, que dispõe apenas do meu corpo, quiser,

Poderá pôr fim ao tempo da minha incerta vida;

Mas com a melhor parte de mim me elevarei imortal

Sobre as estrelas, e o meu nome não perecerá

Em toda parte onde o poder de Roma

Se estende sobre as terras submissas,

Os homens me lerão, e minha fama

Há de viver, por séculos e séculos,

Se valem dos poetas os presságios.

Unanimemente, o pessoal do Portal aplaudiu a decisão da Coluna de publicar trecho de MATAMORFOSES, sua obra mais famosa, que fala sobre o grande mistério da criação do Mundo, assunto que permanece ainda no nosso tempo como uma preocupação científica e religiosa.

O texto de abertura baseou-se em estudo do escritor e pesquisador Ricardo Reis, mato-grossense do Sul, autor de 7 livros e mais de mil artigos publicados. A ele, o geográfico distante reconhecimento do Portal Do Oleari.

Rubens Pontes, de Capim Branco, MG. 

METAMORFOSE

Antes de o oceano existir, ou a terra, ou o firmamento,
A Natureza era igual, sem forma. Caos era chamada
Com a matéria bruta, inerte, átomos discordantes
Guerreando em total confusão:
Não existia o Sol para iluminar o Universo
Não existia a Lua com seus crescentes que lentamente se preenchem;
Nenhuma terra equliibrava-se no ar.
Nenhum mar expandia-se na beira de longínquas praias.
Terra, sem dúvida, existia, e ar e oceano também,
Mas terra onde nenhum homem pode andar, e água onde
Nenhum homem pode nadar, e ar que nenhum homem pode respirar;
Ar sem luz, substancia em constante mudança
Sempre em guerra;
No mesmo corpo, quente lutava contra o frio,
Molhado contra seco, duro contra macio.
O que era pesado coexistia com o que era leve.
Até que Deus,ou a Natureza generosa,
Resolveu todas as disputas e separou o
Céu da Terra, a água da terra firme,o ar
Da estratrosfera mais elevada, uma liberação
E as coisas evoluiíam, achando seus lugares a partir
Da cega confusão inicial
O fogo, esse elemento etéreo,
Ocupou seu lugar no firmamento
Sobre o ar; sob ambos, a terra,
Com suas proporções mais grosseiras, afundou; e a água
Se colocou acima, e em torno, da terra,
Esse Deus, que do Cao
Trouxe ordem ao Universo,dando-lhe
Divisão, subdivisão, quem quer que ele seja,
Ele moldou a terra na forma de um grande globo
Simétrica em todos os lados, e fez com que as águas se
Espalhassem e elevassem, sob a ação dos ventos uivantes.

Rubens Pontes, jornalista,

escritor – – Passos, saltos & queda – Linki pra ler Passos, Saltos & Quedas, de Rubens Pontes.
http://online.anyflip.com/mitk/xjqj/mobile/index.html?fbclid=IwAR39mt-wlzHGKBAeTSG7cZOD4etEr38ocVyHkE-rPKkwvhpfI8qfvf7khLE#p=10

 

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