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sbado, 16 de novembro de 2019

Poesia Erótica / As Certinhas do Oleari – Rodrigo Mello Rego – Alguns poemas recuperados em viagem a Pompeia

Donzela, vê que te fodo
Rapaz, olha que te enrabo
Mas do bandido com barba
Doutra maneira dou cabo

 

Senhor editor do Portal Don Oleari:

Retorno de minha visita a Pompeia, cidade soterrada pelas lavas e cinzas do vulcão Vesúvio no mês de agosto do ano 79 antes de Cristo.

Minha impressão “in loco” confirma a leitura de obra de Carlos Miguel Mora (à esquerda), da Universidade de Aveiro, que me preparou para a viagem:

“Os três castigos de Priapo; o sexo como arma no Corpus Priapeorum” – veja aqui http://www2.dlc.ua.pt/classicos/priapo.pdf ).

Afresco encontrado em Pompeia do deus romano Príapo, conhecido por ter seu pênis sempre ereto demonstrando a ligação da sexualidade e da religião para os romanos

Escrevendo sobre “Falos em uma parede de Pompeia”, assinalou:

– “Pompéia, não podemos nos esquecer, era uma cidade do Império Romano. Sua cultura era um reflexo de sua metrópole. Tendo isso como pressuposto, possui as mesmas separações de classe e gênero, entre os que são privilegiados e os que não o são. A sexualidade reflete um pouco dessa circunstância. O homem socialmente superior possuía vida sexual mais privada em relação aos socialmente inferiores. Tendo em vista, também, que a economia romana era envolta da escravidão, muitos desses possuíam escravos que satisfaziam justamente seus propósitos libidinosos.”

Outra característica de Pompeia é que relações entre homens eram comuns.

Afresco de uma relação sexual entre dois homens e uma mulher encontrada em termas em Pompeia, à esquerda.

Mulher praticando fellatio, à direita.

A cultura masculina, porém, tinha a ideia de que a penetração sexual era de imposição de poder, e quem estava sendo penetrado, certamente, estava numa posição inferior.

Por esse motivo, muitos homens, ao que podemos chamar hoje de homossexuais, escondiam suas relações sexuais no intuito de não ser rebaixado na sociedade, por infligir a si mesmo um papel inferior, passivo, que só uma mulher poderia ser infligida por sua “qualidade natural de inferioridade.”

No campo do erotismo a que tenho me dedicado, o que mais me impressionou na cidade soterrada foram os afrescos e as esculturas com imagens da prática de sexo e de órgãos genitais masculinos, marcantes nas paredes de residências e principalmente no Lupanar, um prostíbulo da cidade. Reunidos e se fosse possível transportáveis, cobririam certamente galerias nos mais importantes museus do mundo.

A literatura erótica, muitas vezes pornográfica, está presente em poemas, alguns dos quais pude recuperar para compor esta coluna.

Rodrigo do Mello Rêgo,

especialmente para o Portal Don Oleari

Alguns poemas, parcialmente recuperados

Perguntas por que partes obcenas não resguardo?
Pergunta então se há deuses que escondam o seu dardo?
O rei do mundo o raio sustem abertamente
O deus do mar não leva coberto o seu tridente
Nem Marte esconde a espada que o enche de coragem
Nem Palas guarda a lança na tépida roupagem
Levar douradas flechas o Febo envergonhava?
Tem Diana por costume tapar a própria alvaja?
Oculta leva Alcides nodosa a vara sob as vestes?
Quem viu ocultar a Baco o tirso delicado
Na roupa ou Cupido com rosto disfarçado?
Então, não já crime que a pica possas ver-me
Se me faltar tal lança, hei de ficar inerme.

+++

Donzela, vê que te fodo
Rapaz, olha que te enrabo
Mas do bandido com barba
Doutra maneira dou cabo

+++

Enrabo-te ao roubar por vez primeira
Mas depois é mamada que te toca.
Se fores apanhado na terceira
Para poderes provar a pena inteira
Primeiro será o cu, depois a boca.

+++

Jeve é senhor do raio, Netuno do tridente
Marte é dono da espada, a lança tua, Minerva
Líber trava combate com Tirso e tiras de erva
A mão de Apolo setas envia bravamente
De Hércules a direita segura o cruel bastão
E a mim me faz terrível a piça com tesão.

+++

O ceptro que foi de árvore cortada
Não reverdecerá em fronde florida
O ceptro que buscou moças corrompidas
Que deseja suster rei debochado
Que beijam os mui nobres maricões
Entrará nas entranhas dos ladrões
Até o púbis e ao punho dos colhões.

Mais sobre Carlos Miguel Mora aqui: http://amatolusitano.web.ua.pt/media/equipa/120912105420_419728.pdf

…e aqui: – http://www.indexebooks.com/carlos-de-miguel-mora.html

Rodrigo Mello Rego,

jornalista,

Mestrado em Estudos Literários

É o primeiro filme dirigido pelo lendário Sergio Leone, também um dos autores do roteiro.

 

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