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sbado, 21 de setembro de 2019

Don Oleari Memória: O filho da p(a)uta – Crônica de Oswaldo Oleari em 10/7/2011 em A Gazeta

Crônica – Oswaldo Oleari
10/7/2011 – Atualizado em 10/7/2011
A Gazeta

O filho da p(a)uta

Niquiqui cometi aquele textim titulado “João Oitentão”, matutei: velhobossanovistas vão iscumungá e mandar o cronicascateiro pra pequepê, pois mais chato que velhobossanovista só ex-guei ou ex-ateu convertido à IURD – Igreja Universal do Reino do Dízimo.

Nada. Festejo se recebo 3 imeils e, aí, já me acho um bestiseler. Nada. Pintou nem um zim, carácolis. Magoei. Meu ibope tá flórida, resmunguei.

Pior quisculhambadu é ser desprezado, relegado. Nesta vidinha de filho da pauta, sempre achei melhor um esporro de leitor, ouvinte, tele-vítima ou infernauta duqui nem um “oi”.

Ah, mas no meio do caminho havia a Laura Diniz, que me redimiu. (Veja e ouça um vídeo de Laura Diniz com Fábio Calazans ao violão no final da coluna).

E como redimiu. Escreveu Laura Diniz, que além de médica é uma boa cantora e tem dos CDS com ótimo repertório.

– “Prezado Oleari, escrevo-lhe, finalmente, para lhe dizer algo que teve início com a primeira crônica sua que li já há algum tempo: sou sua fã. Gosto muitíssimo da maneira tão original-onomatopaica-neologista-humorada com que se expressa. Realmente uma delícia!

Continua Laura:

– “A temática, então, é muito afeita ao meu gosto pessoal, pois gosto de música e de literatura, seus assuntos mais frequentes. Leio de todos os gêneros (literários), mas aprecio muitíssimo uma bela crônica, o que me faz pensar em A GAZETA, que nos tem brindado com excelentes cronistas.

Gostei muito de sua crônica de ontem, por vários motivos, talvez o mais relevante o
fato de relembrar o Mário Reis (à esquerda) e, mais bacana ainda, lembrar-nos que ele foi o primeiro a cantar sem a impostação vigente em sua época, mudando o andamento da melodia ao sabor da letra, realçando, dessa maneira, ambas as frases. Você fez-lhe justiça!

Conclui assim a Laura Diniz:

– “O meu sentimento pelo João, na realidade, fica a um meio termo entre sua crônica e a do Arnaldo Jabor, publicada hoje, mas sinto que você falou com isenção e, por
isso mesmo, com muito maior propriedade. Um abraço de sua admiradora, Laura”.

Ah, a Laura Diniz foi generosa e trouxe um alívio à minha imortal alma, sequiosa de um massageio diante do descaso de velhobossanovistas.

Mal sabia que voltaria logo a outro oitentão – digo, oitenta e setão – ídolo, enriquecedor, um que foi de antes, de de durante e de depois da velha bossa nova.

Perdemos o Dr. William Blanco Abrunhosa Trindade, maranhense carioca conhecido por Bily Blanco, que no primeiro ano dos anos 1950 já emplacava dois primeiros gravados.

“Pra Variar”, com Anjos do Inferno, em 1951, e “Outono”, com Dolores Duran, então sua namorada.

Bily e Johnny Alf já aí se revelavam dusbão, os da virada da música popular para uma nova era. Sem rótulo.

Quinhentas músicas

Daí às cerca de 500 composições foi um pulo. Compunha todos os dias. Às vezes, jogava fora, fazia traveiz.

Logo viria “Teresa da Praia”, juntando duas vozes mudernas, Dick Farney e Lúcio Alves, aí numa gravação em disco de 78 RPM (Rotações por minuto).

Fez dois estatutos: “… de Gafieira” e “… de Boate”. “Mocinho Bonito” pipocou com a graça da jovem Doris Monteiro.

“A Banca do Distinto”, com Isaurinha Garcia (à direita), e sucessivamente emplacando visibilidade, sucessos, parceiros.

Bily Blanco, arquiteto de uma nova linguagem musical nos últimos 60 anos. Não deixe de ouvir “Lágrima Flor”, cuja primeira gravação foi de outro bambambam, Wilson Simonal, depois do vídeo de Laura Diniz.

A banca do distinto

Não fala com pobre, não dá mão a preto

Não carrega embrulho

Pra que tanta pose, doutor

Pra que esse orgulho

… O enfarte lhe pega, doutor

E acaba essa banca”.

Oswaldo Oleari
[email protected] com

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