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quinta, 14 de novembro de 2019

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado / Renata Bonfim, Florbela em Canto

– ” Erudito Oleare

Foi principalmente minha admiração pela poesia de Florbela Espanca que me levou,

pelo encadeamento de ideias que faz a vida da gente ser tão fascinante, à poesia de Renata Bonfim,

também escritora, ensaísta, membro da Academia Feminina Espirito-Santense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do ES, com vários livros publicados.

Essa capixaba, nascida em Vitória, no dia 21 de novembro de 1972, graduada em Artes Plásticas pela UFES, mestre e doutoranda em Letras, membro do Grupo Experimental de Contadores de História também da UFES, membro do “Grupo Tecelãs da Palavra Contos e Poesia”, sócia fundadora da “Rosa Rubra Espaço Terapêutico”, integrante, desde 2007, do grupo de pesquisa do CNPq -‘ Florbela’.

Atuando ainda em outras áreas da inteligência, Renata Bonfim, nome admirado além das nossas fronteiras,
talvez até por isso, abriu espaços no seu tempo para dedicar-se à literatura, criando oásis com tamareiras no cenário
de sua atividade profissional.

Ocorre-me a ideia de que sua aproximação com a obra da extraordinária e trágica poeta portuguesa se deve a outro campo de sua formação acadêmica, sua especialização em Psicologia Analítica Junguiana, pelo Instituto Brasileiro de Psicologia, e Psicossomática pela Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo.

Renata Bonfim possui extensa linha de produção literária e dela selecionamos, pretendendo ser coerente, um belíssimo poema dedicado a Florbela Espanca , para leitura neste sábado:

A poeta da Ilha de Mel e o poema “Floberla em Canto” deveriam figurar com destaque em todas as antologias

de poetas e poemas deste e outros planetas.

O bom, otimista Oleare, é constatar que, no Espírito Santo, “santo de casa” também faz milagres…

Renata Bonfim e a RCBM confirmam esse destaque.

Abraço,
Rubens”.

FLORBELA EM CANTO

Para a Soror Saudade

No claustro, o silêncio

ensurdece.

Fado? A alma resiste e canta.

Da mouraria chegam ecos de

vozes distantes.

Torres de marfim e vitrais

formam

paços adornados com lágrimas e

cristais,

gotas brilhantes que correm

pela face das monjas

e são, caprichosamente,

colhidas

pelas mulheres e por homens

que versejam em Portugal.

Ouço dizer de Princesas

ornadas.

De virgens pálidas e febris

refletidas em vitrais

espetaculares.

Seus sexos são cobertos por

violetas maceradas

que perfumam e inebriam

os pensamentos

desviando os caminhos de quem

passa.

Seus sonhos sensuais aquecem

o frio das celas de ouro.

A simplicidade de seus gestos

contrasta com

o tesouro: pérolas e jades que

saem de suas bocas

rosadas.

– Oh! Roseirais e lírios que

perfumam os campos!

Oh! Árvores que guardam os

ninhos de rouxinóis,

levem este canto, espalhem

este odor e retornem plenos.

Tudo o que vejo é santo, é vivo,

causa espanto:

O Universo, o caos, a beleza…

– Astros dispersos iluminam

verbos verbos e letras se inquietam

amantes que nunca se tocaram,

e despertam na

memória

imagens que insistem em ir para

além de mim.


Rubens Pontes
é jornalista,
radialista,
pubicitário,

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