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sexta, 15 de novembro de 2019

Além da Amazônia, incêncios se espalham por diversos cantos do mundo, como Sibéria, Indonésia e Continente Africano

NYT
Incêndio em florestas da Indonésia.

Neste verão, por exemplo, partes do Alasca bateram recordes : Anchorage atingiu 32°C no dia 4 de julho, quando as temperaturas médias para essa data são de 23°C.

 

 

Na América do Sul , a bacia amazônica está em chamas. Do outro lado do Oceano Atlântico, na África Central , vastas terras de savana estão sendo consumidas pelo fogo. Regiões do Ártico , na Sibéria, estão queimando a um nível histórico . Embora os incêndios no Brasil tenham crescido a ponto de se tornarem uma grande crise internacional , eles representam um caso entre vários territórios que estão reféns do fogo neste momento.

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A piora na intensidade e no alcance do fogo, que agora atinge áreas onde há raros registros de chamas, tem aumentado os temores de que as mudanças climáticas estejam agravando o processo e o perigo que representam.

Clima mais quente e seco “vai continuar a aumentar o potencial das chamas”, segundo John Abatzoglou, professor associado no departamento de Geografia da Universidade de Idaho, nos Estados Unidos.

O acadêmico alerta ainda para o risco da ocorrência de “incêndios de grandes proporções e incontroláveis globalmente” se as temperaturas continuarem a crescer.

As queimadas contribuem para as mudanças climáticas não apenas pela emissão de dióxido de carbono, um dos principais gases causadores do efeito estufa, na atmosfera, mas também pela perda de árvores e vegetação que absorvem emissões ligadas ao aumento dos termômetros .

Florestas na Sibéria

Este ano já foi visto um aumento dramático em incêndios florestais em regiões do Ártico que geralmente não pegam fogo.

Desde julho, o fogo já queimou cerca de 24.281 km2 de florestas na Sibéria, uma área maior do que o estado de Sergipe.

Bombeiros tentam conter incêndio na Floresta Nacional de Chugach, no Alasca em junho de 2019. Foto: Chugach National Forest / REUTERS -ALASKA DIVISION OF FORESTRY / NYT

No Alasca, o fogo consumiu mais de 10.117 km2 de tundra e floresta de coníferas. Levando pesquisadores a concluir que a combinação de mudança climática e incêndios florestais pode afetar a região.

No Ártico

O Ártico está esquentando duas vezes mais rápido que o resto do planeta, e alguns estudos observaram que, à medida que se aquece, também cresce a incidência de raios, segundo John Abatzoglou.

Em áreas remotas, os raios são uma causa significativa de incêndios.

Alguns pesquisadores alertam que, quando os incêndios atingem lugares onde eram raros anteriormente, isso ameaça contribuir para um ciclo vicioso: os incêndios aceleram a mudança climática ao adicionar quantidades significativas de dióxido de carbono à atmosfera.

E, embora a Amazônia seja valiosa por produzir oxigênio e armazenar dióxido de carbono, florestas como as da Sibéria são tão importantes para o sistema climático global quanto as tropicais.

Amazônia, exemplo de incêndios deliberados
Por questões geográficas, econômicas, políticas e climáticas, não há uma maneira simples de categorizar incêndios florestais — cada um é diferente e pode combinar uma mistura de causas.

— Temos os incêndios intencionais , por meio da limpeza de terras. Temos os incêndios que estão ocorrendo em áreas remotas que provavelmente não estariam acontecendo, pelo menos não nessa gravidade, na ausência de mudanças climáticas — disse Abatzoglou.

A crise na Amazônia é um exemplo de incêndios deliberados: derrubar a floresta para a agricultura ou a pecuária. No caso do Brasil, isso é impulsionado por uma demanda global por soja e gado, principalmente porque a China ficou mais rica, e as pessoas têm mais condições de comprar carne.

Os primeiros relatórios sugerem que as queimadas deste ano, que coincidem com a estação seca da Amazônia, estão prestes a piorar, em parte porque a guerra comercial dos EUA com a China — um dos maiores compradores de soja do mundo — levou Pequim a encontrar novos fornecedores para substituir os norte-americanos.

Ainda assim, “não sabemos por enquanto quanta área foi realmente queimada”, diz Laura Schneider, professora associada do departamento de geografia da Universidade Rutgers, em Nova Jérsei, nos EUA.

As comunidades indígenas na Amazônia usam fogo nas florestas tropicais há gerações, mas cultivam áreas muito menores, plantam um número diversificado de culturas e mudam para um novo lote de terra depois de alguns anos, permitindo que a floresta volte a crescer.

— É importante mencionar que eles são capazes de controlar esses incêndios. E, novamente, o incomum agora é que esses incêndios estão um pouco fora de controle — disse Schneider.

Isso é diferente do que está acontecendo atualmente na Amazônia, onde a agricultura mais industrializada de hoje significa que as terras desmatadas tendem a permanecer permanentemente limpas. Porém, essa terra ainda queima às vezes: os agricultores geralmente limpam o campo para uma nova safra queimando os restos da safra anterior, e isso explica muitos incêndios atuais.

LEIA MAIS: Florestas perdem 89 milhões de hectares no Brasil desde 1985; agropecuária ocupa 31% do país

Um padrão semelhante está ocorrendo no sudeste da Ásia , onde 71% das florestas de turfa foram perdidas em Sumatra, Bornéu e na península da Malásia entre 1990 e 2015. Em muitos casos, as florestas foram substituídas por fazendas que produzem óleo de palma, ou azeite de dendê, usado em tudo — desde biscoitos a colônias — e é uma das culturas mais importantes da região.

Em 2015, a fumaça dos incêndios foi tão grave que pode ter levado à morte prematura de 100 mil pessoas, de acordo com um estudo divulgado no ano seguinte. Após a neblina daquele ano, o governo adotou várias medidas para reduzir o número de incêndios, mas este ano a fumaça está de volta.

Fogo no norte
Os incêndios na Indonésia são bem distintos do que está acontecendo nas regiões norte do globo, incluindo o Ártico.

Neste verão, incêndios florestais ocorreram em toda a região – incluindo Alasca, Groenlândia e Sibéria, em locais que normalmente não pegam fogo.
Os incêndios são provocados pelo aumento da temperatura, que seca as plantas e as torna mais propensas a queimar. Muitos pesquisadores descrevem o calor como um sinal de mudança climática em uma região do mundo que se aqueceu mais rapidamente do que o resto do planeta. Neste verão, por exemplo, partes do Alasca bateram recordes : Anchorage atingiu 32°C no dia 4 de julho, quando as temperaturas médias para essa data são de 23°C.

À medida que esses incêndios se espalham, o mesmo ocorre com as emissões de dióxido de carbono , que atingiram seus níveis mais altos desde que o registro de satélites começou em 2003.

Somente nos primeiros 18 dias de agosto, os incêndios no Ártico emitiram 42 megatoneladas de dióxido de carbono. Isso elevou o total de junho, julho e da primeira parte de agosto para mais de 180 megatoneladas, cerca de 3,5 vezes mais do que a Suécia emite em um ano.

Os incêndios não só são amplamente vistos como um sinal de mudança climática, mas também podem exacerbar o aquecimento global por causa da fuligem produzida pela queima de turfa, rica em carbono. Quando a fuligem se instala nas geleiras próximas, o gelo absorve a energia do sol em vez de refleti-la, acelerando o derretimento da geleira .

Queimadas sazonais
Embora os incêndios que atingiram o Ártico neste verão sejam incomuns, nem todos são tão inesperados. Em alguns lugares, há um ciclo sazonal de fogo que tem papel importante. O oeste americano é um exemplo.

É verdade que os humanos desencadeiam a maioria dos incêndios, seja acidentalmente, por meio de um cigarro ou fogueira, por exemplo, ou intencionalmente para limpar a terra. No entanto, uma razão pela qual lugares como a Califórnia aparentemente têm incêndios todos os anos é porque o estado, junto com grande parte do oeste e sudeste dos Estados Unidos, é o que os pesquisadores chamam de “ecossistemas adaptados ao fogo “.

Em outras palavras, algumas paisagens evoluíram ao longo do tempo para não apenas tolerar o fogo, mas realmente precisam dele. Por exemplo, os pinheiros de Ponderosa, uma árvore comum no oeste dos EUA, precisam do calor dos incêndios para liberar suas sementes.

Um padrão semelhante pode ser visto em alguns incêndios na África subsaariana que recentemente chamaram a atenção do mundo. De acordo com John Abatzoglou, os ecossistemas de savana ao norte e ao sul da floresta tropical da região queimam de maneira bastante previsível a cada dois a três anos.

— Este é realmente o ecossistema mais propenso a incêndios do mundo— diz o professor do departamento de Geografia da Universidade de Idaho. — É a combinação certa de estar úmido o suficiente para ter combustível disponível e secar o suficiente para queimar, e há muitos raios.

Ainda assim, as mudanças climáticas podem ter um efeito dramático nos incêndios, mesmo nessas partes do mundo. Por exemplo: pesquisas publicadas este ano sugerem que os incêndios na Califórnia são 500% maiores do que seriam sem as mudanças climáticas induzidas pelo homem.

Fonte NYT / O Globo – https://oglobo.globo.com/sociedade/alem-da-amazonia-incendios-se-espalham-por-diversos-cantos-do-mundo-como-siberia-indonesia-o-continente-africano-23916812

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