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segunda, 16 de dezembro de 2019

Rodrigo Mello Rego / As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica – Da Vinci, Conde D’eu e algumas rimas de Ovídio, Rousseau, Gregório Mattos

À esquerda, uma Certinha “fotogarfada” do Psalm Salanasack

 

 

Senhor Diretor do Portal Dom Oleari ou Oleare:

Justifico e rogo escusas pela minha longa ausência.

Retorno agora de viagem a Paris, cumprida antiga aspiração de visitar o Louvre e
ver frente a frente um dos meus mais acalentados sonhos: olhar, tête a tête, ao vivo, a tela Mona
Lisa, obra prima de Leonardo da Vinci.

No retorno, aproximando o avião do aeroporto do Recife vejo, do alto, o encontro
dos rios Capiberibe e Beberibe para, segundo os pernambucanos, formar o Oceano Atlântico.

Aí, sem mais, sem menos, me bate na cabeça instigante interrogação: há alguma
relação – superados espaço e tempo – entre o mestre da Renascença e um dignatário do Império brasileiro presente na História pernambucana – o gênio na Itália, o aristocrata no Brasil?

Jocosamente há, concluo.

Leonardo da Vinci, segundo alguns maldosos críticos, até poe ter “dado” vinte, homossexual que era, dizendo alguns críticos que a modelo para a tela admirada em todo o Mundo não foi Constança d’Avalos, duquesa de Francavilla, mas, na verdade, um adolescente vestido de mulher, amante do pintor.

Lembro-me, embora repudiando essa versão, ter Sigmund Freud opinado sobre a tela, sugerindo que a pintura refletia certa masculinidade. Estudiosos que apoiam a identidade masculina do modelo, o identificam como Gian Giacomo Aprotti, conhecido como il Salat.

O Conde D’Eu – Luiz Filipe Maria Fernando Gastão – mais conhecido por ter se casado com a Princesa Isabel, filha do Imperador Dom Pedro II, era um cidadão viril, na juventude assíduo caçador de mulheres, foi guerreiro no
Marrocos, mais tarde, já no Brasil, herói na Guerra do Paraguai.

Leonardo di Ser Piero da Vinci foi pintor, arquiteto, escultor, engenheiro, matemático, anatomista, músico, físico, inventor e, além de tudo isso, lê-se na sua biografia escrita por Walter Isaacssum, “filho ilegítimo, vegetariano,
canhoto, às vezes herético e gay”.

Como sempre há um “mas” em histórias como essa, e nenhum historiador de bom conceito esquece a fascinante trajetória de Leonardo da Vinci, e suas jamais superadas criações, para abordar o obscuro outro lado de sua vida.

Já com o Conde D’Eu e história é outra.

Atribuem até a gente da Côrte – invejosos, certamente – colocações como essas:

– D’Eu, tá dado. (Na Côrte)

– Meu marido querido, você D’Eu? (Princesa Isabel)

– Meu genro, você D’Eu? ( Pedro II)

– Se d’Eu foi para algum padre? (O Papa)

– O Conde D’Eu! ( Um cortesão).

Para Leonardo da Vinci e para o Conde D’Eu, fofocas para serem desprezadas, rendo homenagem evocando algumas rimas, retrato mais ou menos vivo de épocas que o tempo nunca fará apagar…

Rodrigo Mello Rêgo

Jornalista,

Mestre em Estudos Literários

 

 

Do folclore da Calábria

Pela noite eu vou a encontro no escuro

agarro-a pelas ancas e o cu lhe furo.

Ovídio

A tua pica é tão grande quanto teu nariz, Papito
Tanto que a podes cheirar enquanto rija.

Pedônio Dióscorides

E vós tomais, de não assaz caolho
o ânimo pronto; baixai a vossa cona
enquanto enfio fundo o meu caralho

Rosseau

Palpava um Barbanita irmã Colette
por detrás do parlatório, em desajeito.
A freirinha queixou-se: Não se mete
assim. Melhor seria estar num leito.

Finalizando, e para não ficar o Brasil alheio,

recorro a Gregório Matos:

O cono é fortaleza
o caralho o capitão.
Os culhões são bombardeiros
o pentelho é o marrão.

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