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segunda, 16 de dezembro de 2019

Aqui Rubens Pontes – Meu poema de sábado / Newton Braga, E então, certo dia, por acaso…

 

– “Esta sensibilidade que é uma antena delicadíssima captando pedaços de todas as dores do mundo e que me fará morrer de dores que não são minhas”

Gravação no monumento de Newton Braga na Praça Jerônimo Montero.

Rubem Braga foi um dos mais aclamados cronistas brasileiros, incluído na galeria dos notáveis cultores da arte de escrever.

Ainda assim, com seu nome projetado nacionalmente, não eclipsou na área da inteligência criativa a trajetória de seu irmão Newton Braga, poeta de extrema sensibilidade.

Rubem Braga foi um cronista maior.

Newton Braga foi um poeta maior.

Poeta, cronista, tradutor, jornalista, advogado, Newton Braga atuou com brilho em todas as frentes em que se envolveu.

Escreveu seus primeiros poemas em Belo Horizonte, onde fora estudar Direito na UFMG.

Na UFMG

Na Universidade, foi colega e companheiro de Cyro dos Anjos,Tancredo Neves (à esquerda) e Guilhermino César (à direita), formando um pequeno grupo de tertúlias literária e política.

De volta à terra

O chamamento da terra trouxe-o de volta a Cachoeiro de Itapemirim, onde assumiu a diretoria do jornal “Correio do Sul”, mantendo simultaneamente uma coluna de crítica literária na imprensa carioca.

Numa segunda fase de sua vida no Rio de Janeiro, em 1959, foi redator de publicidade e de jornalismo na TV Tupi, emissora dos “Diários Associados”. Trabalhou, ainda no Rio, na Rádio Ministério da Educação.

Na sua terra, seus momentos de lazer eram passados nos gramados dos campos de futebol.

Newton Braga foi um aficionado do esporte, como torcedor e como jogador, como atacante no “Estrela do Norte”e como diretor da Liga Desportiva de Cachoeiro do Itapemirim.

Portal Don Oleari confirma sua admiração a tantos e expressivos nomes da erudição cachoeirense e esta Coluna endossa esse sentimento com este pequeno registro de uma vida dedicada à cultura capixaba e brasileira, motivo de orgulho para todos nós.

– “E então, certo dia, por acaso”, poema escolhido para leitura neste sábado, é de Newton Braga, cachoeirense nascido na Fazenda do Frade no dia 11 de agosto de 1911, falecido aos 51 anos de idade, em 1962, no Rio de Janeiro.

Rubens Pontes

Capim Branco, MG – Passos, Saltos & Quedas, de Rubens Pontes.
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E então, certo dia, por acaso…

Newton Braga

… e então, certo dia, por acaso,
nós nos veremos, de novo, frente a frente.
Cada qual estará algemado a outros destinos
e parecer-nos-á que andamos às tontas,
muitotempo, e que as estradas que julgávamos familiares e
imutáveis eram mundos estranhos em que vivêramos
sonâmbulos.

Um pequenino detalhe qualquer, vago, impreciso
– o meu modo de olhar, teu jeito de sorrir,
um gesto, uma expressão, um desses quês
inapagáveis-
reacenderá, talvez, por um momento,
a memória de outros tempos e outros sonhos.

Sim: apenas por um momento.
Voltaremos logo ao presente, voltaremos
apressadamente a nós mesmos,
com teimosia e rancor,
com o sobressalto, o desamparo, o desespero
de quem, mesmo sabendo inútil, vão,
quer impor, com o cérebro,
o ritmo que o coração deva bater.

-E então cada qual continuará o seu caminho,
pisando firme, com decisão, obstinadamente;
-nenhum dos dois olhará para trás.

Newton Braga

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