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segunda, 21 de outubro de 2019

Aqui Alvaro Silva – A(s) família(s) acima de tudo



Elizabeth ao lado do irmão ministro Paulo Guedes. A família é tudo…

Desde o início de seu governo o presidente Jair Bolsonaro guarda consigo alguns carmas que parecem ser caros. ‘Soberania’, por exemplo. Ele se apega ao termo como se o Brasil estivesse a ponto de sofrer intervenção armada por parte de alguma grande potência estrangeira. Pela fixação que tem em dois países muito ‘poderosos’, ou é a Venezuela ou é Cuba! Estamos fritos!

Outro termo caro ao bolsonarismo é ‘patriotismo’.

Se olharmos os dicionários e a raiz das palavras encontraremos coisas como ‘sentimento de amor, orgulho e devoção à pátria e seus símbolos’. Ora, penso eu: sou patriota! Ledo engano. Como discordo de quase todas as coisas que esse governante faz, não faço parte do grupo. Patriota então seriam as pessoas que sentem orgulho, amor e devoção à pátria e, ao mesmo tempo, defendem incondicionalmente o governo atual. Em suma, os ‘bolsonaristas de raiz’, e somente eles, se adequam a esse status. Um estranho status…

Viva a família do rei e dos amigos do rei.

Mas o maior de todos os carmas é ‘família’. Não há uma única manifestação pública do presidente na qual ele não fale disso. É apaixonado pela sua. Tanto que faz o possível, o impossível e o inimaginável para emplacar seu filho Eduardo como embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Afinal, ‘meu filho, meu tesouro’ sabe fazer hambúrgueres como ninguém mais…

Esse amor desmedido contaminou a todos.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, quer emplacar um irmão seu num organismo encarregado de julgar seus atos. Afinal, quem trai aos seus é monstro. E ele conta com o apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes, que adora a irmã, Elizabeth Guedes, professora e presidente(a) da Associação Nacional das Universidades Particulares – ANUP -, e já abriu as portas do poder em Brasília a ela.

Sobretudo as do Ministério da Educação onde, com a ajuda de Weintraub, desenvolve-se o projeto de destruição parcial ou total das universidades públicas do Brasil. Projeto esse que vai de vento em popa…

E essas universidades de ‘zebras gordas’ concorrem com aquelas que Elizabeth tão bem representa. Não pode acontecer isso, concordam comigo? Essa aberração tem que acabar no atual governo.

Tanto que um dos programas em curso é não haver mais concurso para professores nas universidades públicas. Assim podem ser nomeados todos os apoiadores do governo. Já que eles não passam em concursos, ao menos pelo que podemos presumir…
É isso amigos.

Viva a família do rei e dos amigos do rei. As demais, se for possível. Em épocas anteriores governantes brasileiros ajudaram seus familiares de forma velada. Agora não. Agora é tudo descarado mesmo.

Álvaro José Silva,
jornalista,
escritor

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