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sexta, 15 de novembro de 2019

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Os misteriosos caminhos de um poema dos sábados – Eu e Minha irmã, dois poemas de Irmã Dulce

Os misteriosos caminhos de um poema dos sábados

 

– Don Oleari

Pelo sim, pelo não, queimei alguns raminhos de arruda, persignei-me com unção, invoquei Santo da minha devoção, e me preparo para encaminhar-lhe, pela vez que espero de bom termo, a coluna sobre o lado “b” de Santa Dulce dos Pobres.

Quem sabe, como hoje é domingo, dia de missas e contrições, quando todos os nossos pecados são perdoados por uma simples benção no confessionário, e até Logum Edê (à direita), o oxalá bissexual (6 meses homem, 6 meses mulher) pode abrir novo caminho nas encruzilhadas, quem sabe com tudo  isso tudo isso chega ao bom final enunciado?

O importante, o importante que interessa, é você receber e recebendo dar retorno a esse preocupado com causa e efeitos dos poderes que um dia romperam do céu pela adaga de Abraão ou de alguém outro da mesma fé.

Vai tudo como anexo, uma forma também de despistar, achando que esse macete não foi no além desvendado.

Vamos lá, de dedos cruzados.

Rubens”.

 

Santa Dulce dos pobres

– Figura frágil nas fotos divulgadas, miúda e introvertida, era no entanto uma pessoa bem-humorada que tocava sanfona, gostava na infância de soltar pipas, correr descalça nas ruas do seu bairro e jogar bola no campo da Pólvora, um dos principais largos do centro de Salvador.

Aos domingos, invariavelmente, ia com seu pai, Augusto Lopes Pontes, aos jogos do Ypiranga, clube para o qual torcia, à época o time mais popular da Bahia.

Foi a partir da adolescência que sua vida assumiu novos rumos.
Visitando cortiços no Bairro dos Brotas, comoveu-se com a miséria dos seus moradores e passou a dedicar,cada minuto do seu tempo a minimizar o sofrimento dos que de alento necessitavam.

***
Interrompo esta pequena narrativa para uma retrospectiva.

Em 1947, repórter do jornal Folha de Minas, já extinto, fui designado para realizar reportagem com um padre da pequena paróquia de Urucânia, perto da cidade de Ponte Nova, que, segundo se dizia, realizava feitos tidos como milagrosos.

Mergulhando uma imagem de Nossa Senhora das Graças num copo de água, dava-a aos pinguços do lugarejo e os livrava definitivamente do vício de beber.

Mas o padre Antônio Ribeiro Pinto fazia muito mais do que isso.
Assustei-me com o episódio testemunhado do homem paralítico abandonar suas muletas e sair andando sem elas, e quase fugi em disparada quando uma mulher cega, erguendo mãos para o alto, disse estar enxergando.

***

Com as duas histórias, o Portal e o Colunista pretendem concluir que Irmã Dulce não se tornou santa apenas pelos dois episódios relatados pelo Vaticano, ou o pároco de Urucânia mereceria igual julgamento.

Irmã Dulce se santificou pela sua invulgar vocação de ajudar os que precisavam de uma mão estendida, do calor de uma compreensão, de um ato realista de ajuda aos mais necessitados.

Sem nenhuma expectativa do futuro reconhecimento da Santa Sé.

Tudo o que foi dito sobre Santa Dulce dos Pobres é hoje nacionalmente conhecido. Menos o que não foi dito e que o Portal Don Oleari e o colunista revelam agora.

A menina que jogava “pelada” nas ruas de Salvador e tocava sanfona, que adulta dedicou sua vida aos necessitados, canonizada como Irmã Dulce dos Pobres, foi também poeta.
O Portal Dom Oleare, o Colunista oram pedindo a ela que por todos nós e por todos os que nos acompanham interceda, têm o privilégio de revelar outra face da Santa brasileira, publicando versos com os quais ela abre sua alma.

(Santa Dulce dos Pobres morreu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos de idade. Recebeu, no hospital onde estava internada, visita do Papa João Paulo II).

Rubens Pontes

Capim Branco, MG

 

Poemas de Irmã Dulce

Eu…

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada … a dolorida …
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Conhecida como Complexo Roma, Sede das

Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador,

foram iniciadas num galinheiro.

Minha irmã

Você, minha irmã:
Às vezes um poço de mistério
Às vezes acorda sem humor
Às vezes não tem paciência
Às vezes um silêncio impenetrável
Ás vezes ninguém te merece
Às vezes eu que não te mereço
Mas
Sempre Amiga
Sempre sincera
Sempre generosa
Sempre sensível
Sempre, sempre, sempre
Acho que não acho mais adjetivos para ti
pois és um presente que Deus me deu e nem com
a nossa diferença de idade apaga esse amor.
Que Deus lhe abençoe sempre, que sejas uma vitoriosa
e que tudo o que desejas sejam presentes dados por Deus.
Tenho orgulho em ter você como irmã. Beijos em seu coração.

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