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sexta, 15 de novembro de 2019

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Hino do Flamengo, de Lamartine Babo; “Arrasta a pepeca no chão”; “Bububu no bobobó”

De gustibus et coloribus non est disputandum”.

 

Evoco este instigante provérbio latino para dizer que respeito, mesmo tomado de perplexidade, os que vão ao delírio na plateia do Faustão ouvindo Kevin O Cris ocupar o quadro “Ding Dong” para cantar “Arrasta a pepeca no chão”.

“Fim de semana é de lei
que cria fica suave
se nós chamar sei que elas vem
Que se foda minha ex
Hoje tem baile na gaiola
Arrasta a pepeca no chão
Se envolveu.”

(*) Veja vídeo no final da coluna.

Mas não é apenas uma pepeca arrastada que marca nos tempos chamados modernos os versos que no passado a minha geração se habituara a ouvir.

Pirapó e Cambará alcançaram invejável sucesso de venda com sua gravação “Bububu no bobobó”, um xote com uma letra que nos conta:

– “Eu namorei a filha do seu Jacó

Ele pegou nós no pulo e quis fazer um forrobobó.

Peguei o velho, eu rolei e dei um nó

Pois comigo é diferente, é bububu no bobobó.

Bobobó no bububu

bububu no bobobó”.

(*) Veja vídeo no final da coluna com a dupla Pirapó e Cambará

Se gosto não se discute, me permito contrapor à pepeca no chão e ao bobobó no bububu, poemas contidos,

por exemplo, na “Noite do meu bem” de Dolores Duran:

– “Quero a alegria de barcos voltando,

quero a ternura de mãos se encontrando

para enfeitar a noite de meu bem”.

Ou Silvio Caldas cantando “Chão de Estrelas”:

“A porta do barraco era sem trinco

Mas a lua furando nosso zinco

salpicava de estrelas nosso chão.

Tu pisavas nos astros distraída…”

Vou além, lembrando a sonoridade de hinos compostos para times de futebol, como os do mineiro de Ubá , o inesquecível Ary Barroso.

Compositor, pianista, locutor esportivo, apresentador de programas no radio e na TV, autor premiado com Oscar nos Estados Unidos com trilha sonora para filmes em Holywood, criador dos imortais “No Tabuleiro da baiana”, épico cantado por Carmem Miranda, “Faceira”, “Prá machucar meu coração”, “Dá nela”, “Boneca de Piche”, “Terra Seca”, Aquarela do Brasil”.

Ary Barroso, além de suas fantásticas 211 composições de sucesso, deu nobreza aos versos musicados que enalteceram os clubes de futebol do Rio de Janeiro.

O Portal e a Coluna não cometerão assim heresia escolhendo como Poema para este Sábado – muito a propósito – a homenagem prestada por Ary Barroso ao time do seu coração de poeta e compositor:

“Salve o Flamengo”.

Um contra-ponto às pepecas no chão e ao bububu no bobobó.

Rubens Pontes
Capim Branco, MG – Linki pra ler Passos, Saltos & Quedas, de Rubens Pontes.
http://online.anyflip.com/mitk/xjqj/mobile/index.html?fbclid=IwAR39mt-wlzHGKBAeTSG7cZOD4etEr38ocVyHkE-rPKkwvhpfI8qfvf7khLE#p=10

Hino do Flamengo
Lamartine Babo

Uma vez Flamengo,
Sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser
É o meu maior prazer vê-lo brilhar
Seja na terra, seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer

Na regata ele me mata,
Me maltrata, me arrebata
Que emoção no coração
Consagrado no gramado
Sempre amado, o mais cotado
Nos Fla-Flus é o “aí, Jesus”!
Eu teria um desgosto profundo
Se faltasse o Flamengo no mundo

Ele vibra, ele é fibra
Muita libra já pesou
Flamengo até morrer eu sou !

Compositor: Lamartine Babo

 

 

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