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sbado, 14 de dezembro de 2019

Duas amigas ao telefone – Copigarfado de Luis Fernando Veríssimo

 

 

Amigas ao telefone:

– Oi, me conta como foi o encontro de ontem à noite.
– Horrível, não sei o que aconteceu…
– Mas por quê? Não te deu nem um beijo?
– Sim. Beijar, me beijou. Mas me beijou tão forte que meu dente postiço da frente caiu e as
lentes de contato verdes saltaram dos meus olhos.

– Não me diga que terminou por aí.
– Não, claro. Depois pegou no meu rosto entre suas mãos, até que tive que pedir que não o
fizesse mais, porque estava achatando o botox e me mordia o lábio como se fossem de plástico…
Ia explodir o meu implante de colágeno e quase sai o mega hair!

– E… Não tentou mais nada?
– Sim começou a acariciar minhas pernas e eu o detive, porque lembrei que não tive tempo de me
depilar. E além do mais, me arrebatou com uma luxúria e estava me abraçando tão forte que
quase ficou com minhas próteses da bunda em suas mãos e estourou meu silicone do peito…

– E depois, o que aconteceu?
– Aí então, começou a tomar champanhe em meu sapato…
– Que romântico!
– Romântico, o cacete! Ele quase morreu!
– E por quê?
– Engoliu meu corretor de joanete com a palmilha do salto.
– Nossa, o que ele fez depois?
– Você acredita que ele broxou e foi embora?
– Acho que ele é viado.
– Só pode!

Pela bótima fábula, obrigado a Luiz Fernando Veríssimo

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