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sbado, 14 de dezembro de 2019

Aqui Wilson Côelho: Fernando Arrabal recebe a Gran Cruz da Orden Civil de Alfonso X em Paris

Tradução: Wilson Coêlho

O escritor e artista espanhol Fernando Arrabal recebeu  em Paris da mão do ministro espanhol de Cultura em exercício, José Guirao, a Gran Cruz da Orden Civil de Alfonso X, o Sábio, em reconhecimento por sua contribuição à cultura à imagem de seu país.

Em uma cerimônia na residência do embaixador de Espanha em Paris, Guirao sublinhou a “gigantesca contribuição ao teatro” de Arrabal, que é “o autor espanhol contemporâneo mais representado nos palcos de todo o mundo”.

O ministro colocou esse ato em contraste com o fato de que estivera “vetado em seu próprio país” durante a ditadura. Por isso, insistiu em afirmar que ele “merece todos os reconhecimentos” de Espanha, e por isso seu Governo decidiu dar-lhe este prêmio, por tudo o que tem contribuído para sua cultura e pela imagem que transmitiu, já que “Espanha sempre está em sua obra”.

Em Espanha, acrescentou, “às vezes somos um pouco parcos, austeros no reconhecimento, e eu creio que não há que ser austero, há que ser justo. E em justiça o merecia”.

Arrabal lhe replicou observando que “é uma honra imerecida” e falou de uma série de “coincidências”, já que na mesma semana em que se lhe concedeu esse galardão havia publicado na imprensa um artigo sobre Alfonso X, o Sábio, ao que disse ter sempre presente por sua faceta de bibliófilo e por sua paixão compartilhada pelo xadrez.

O escritor se considerou um “desterrado” em Paris, onde foi viver em 1955, em pleno franquismo e, perguntado sobre como desde ali vê a Espanha, respondeu com sua habitual ironia: “a vejo cada vez melhor, por isso trago comigo sempre dois pares de óculos, um colorido e outro em preto e branco (…) para ver além do que se está dizendo”.

Afirmou que a Espanha está passando por “um grande momento” porque “no mundo das matemáticas, no mundo da ciência, do xadrez, da modernidade, a Espanha tem um papel capital”.
Contou que continua escrevendo para o teatro, mas também algo que denominou “de memória” sobre, por exemplo, as coisas que viveu com Andy Warhol, com Samuel Beckett ou com Oscar Niemeyer.

Dedicou este reconhecimento “sobretudo ao ministro de Cultura, que intercedeu para que eu tivesse este galardão imerecido”.

A decisão de outorgar a Gran Cruz da Orden Civil de Alfonso X, o Sábio a Arrabal (Melilla, 1933) a tomou o Conselho de Ministros em 1º de março passado. É um reconhecimento destinado a pessoas para tenham “patente o nível excepcional de seus méritos”, segundo o departamento de Cultura.

Este prêmio vem se somar aos muitos que este escritor, artista, diretor de teatro e ópera e cineasta recebeu ao longo de sua dilatada carreira.
Na França foi condecorado com as insígnias de Oficial das Artes e das Letras em 1995 e nomeado Cavaleiro da Legião de Honra, em 2006. É doutor honoris causa pela Universidade Aristóteles de Salônica.

Sua obra literária recebeu reconhecimentos desde muito cedo. Com apenas 20 anos, obteve o Prêmio Cidade de Barcelona pela sua obra de teatro absurdo intitulada “O Triciclo”.
Como autor dramático, conseguiu também, em 1967, o Prêmio de Teatro de Paris pela peça “O jardim das delícias”; o Prêmio de Teatro da Academia Francesa, em 1993; o Prêmio Nacional de Teatro, na Espanha, em 2001, pelo “Cemitério de automóveis”; e o Prêmio Nacional de Literatura Dramática, em 2003, por “Carta de amor”.

Sua novela “A torre ferida pelo raio”, levou o Prêmio Nadal de 1982. Con “A duvidosa luz do dia” ganhou, em 1994, o XI Prêmio de Ensaio de Espasa.
eldiario.es 17/11/2019

Wilson Côelho com seu amigo e parceiro Fernando Arrabal

Poeta, tradutor, palestrante, dramaturgo e escritor com 17 livros publicados.

Licenciado e bacharel em Filosofia e Mestre em Estudos Literários pela UFES (Universidade Federal do ES); Doutor em Literatura pela Universidade Federal Fluminense e Auditor Real do Collége de Pataphysique de Paris.

Tem 22 espetáculos montados com o Grupo Tarahumaras de Teatro, com participação em festivais e seminários de teatro no país e no exterior – Espanha, Chile, Argentina, França e Cuba, ministrando palestras e oficinas. Também tem participado como jurado em concursos literários e festivais de música.

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