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sbado, 14 de dezembro de 2019

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado / Gravata colorida, de Solano Trindade

 

 

 

Zumbi, um escravo pernambucano que mais tarde se tornaria líder do Quilombo dos Palmares,

morreu no dia 20 de novembro de 1695.

Sua memória levaria a Câmara dos Deputados a aprovar, 308 anos no futuro, o Projeto de Lei 10639, de 9 de janeiro de 2003, instituindo, na data de sua morte, “O Dia da Consciência Negra”.

A medida, no entanto,só foi sancionada em 2011, tornando-se a Lei 12519, sem obrigatoriedade de feriado.

No Espírito Santo, apenas Cariacica e Guarapari consideram a data feriado municipal. Em Minas Gerais, 9 municípios.

Monumento a Zumbi em Salvador, Baia.

Bem, o dia 20 passou e que frutos deixou?

Datas simbólicas ou festivas, mesmo tornadas Lei, significam muito pouco neste País sem memória…

Reza-se ou se penitencia, sopram-se velas em bolos enfeitados, desfila-se em carros alegóricos, hasteiam-se bandeiras,

hinos são entoados, taças levantadas, arma-se uma árvore com guizos e luzes na sala,

o comércio se rejubila, e se fica aguardando o próximo ano.

A Coluna bate no peito por não fugir à regra, embora o Portal dê ênfase às efemérides, valorizando seu significado atemporal e a importância do registro com os desdobramentos históricos que defende.

Igreja do Carmo, Recife/PE, em cuja praça ficou exposta a cabeça de Zumbi.

Em sendo assim a realidade, emprestamos especial destaque a intelectuais negros que pontuaram a nossa História com a luminosidade do seu talento, superando tolos preconceitos, vencendo as dificuldades inerentes à sua posição na comunidade e se situando entre os grandes pensadores alocados no panteon da criatividade humana.

Na música, no jornalismo, na política, na religião, na gastronomia, na poesia, na ficção. No dia a dia do calendário, não numa determinada data eleita para o fim.

Aqui mesmo, no Espírito Santo, figuras como Hudson Ribeiro (à direita) e Eliza Lucinda se situam na galeria onde pontuam Gonçalves Dias, Machado de Assis, José do Patrocínio, Cruz e Sousa (à esquerda, em painel homenagem em Santa Catarina).

Lima Barreto (que ganhou atualidade com fala recente do Presidente do STF comparada ao homem que falava javanês), Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Milton Santos, Nina Rizzi, Carlos Machado… e só paramos para não alongar a coluna além do seu espaço.

O poeta deste sábado, outro negro, assim chamado porque de pele escura, é Solano Trindade (à direita).

Folclorista, pintor, ator, teatrólogo e cineasta, deixou uma marca como poeta que poderia torná-lo,

como tantos dos seus pares enunciados, patrono de um improvável “Dia Nacional dos Poetas Negros”.

Seu poema GRAVATA COLORIDA é uma ode para ler lida com unção.

O poeta deste sábado, outro negro, assim chamado porque de pele escura, é Solano Trindade (à esquerda).

Folclorista, pintor, ator, teatrólogo e cineasta, deixou uma marca como poeta que poderia torna-lo,

como tantos dos seus pares enunciados, patrono de um improvável “Dia Nacional dos Poetas Negros”.

Seu poema GRAVATA COLORIDA é uma ode para ler lida com unção.

Rubens Pontes
Capim Branco, MG –

– Passos, saltos & queda – Linki pra ler Passos, Saltos & Quedas, de Rubens Pontes.
http://online.anyflip.com/mitk/xjqj/mobile/index.html?fbclid=IwAR39mt-wlzHGKBAeTSG7cZOD4etEr38ocVyHkE-rPKkwvhpfI8qfvf7khLE#p=10

GRAVATA COLORIDA

Solano Trindade

Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos que gostam
de gente engravatada

Mais sobre Solano Trindade:

https://ceert.org.br/noticias/historia-cultura-arte/22494/110-anos-de-solano-trindade-para-nao-esquecer-de-seus-poemas

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