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quarta, 12 de agosto de 2020

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Amanhecimento, de Elisa Lucindo; coluna elege dez mais belos poemas

 

 

A Coluna  pretendeu elencar   os  dez mais belos  poemas brasileiros de todos os tempos, com sua visão  independente, associada à de críticos literários. Foi absolutamente impossível. Ficou perdida ao constatar  que são dezenas, talvez uma centena, os sonetos e os poemas escritos por outras centenas de excepcionais  poetas que  se inserem entre as obras primas que chegaram até nós..

Foi então que ocorreu ao colunista realizar uma enquete entre  seus companheiros do Portal Don Oleari e o resultado não foi surpreendente. Algumas indicações foram apontadas por unanimidade e outras escolhidas por maioria de  votos. Também algumas indecisões, mas nenhuma dúvida.

O Portal, por seu Diretor com direito a voto, não firmou posição mas concordou com a escolha, sabendo que os poemas escolhidos fazem parte de opiniões convergentes de críticos brasileiros, já publicadas, porém,  sem nenhuma influência na escolha por voto aberto.

Os poemas mais indicados, sem obedecer necessariamente ao número de indicações recebidas, foram:

– Amanhecimento, Elisa Lucinda

– Retrato, Cecília Meirelles (esquerda)

– Amor, Álvares de Azevedo

– Vou-me embora prá Passárgada, Manuel Bandeira (à direita)

– A  Máquina do Mundo, Carlos Drumond de Andrade

– Soneto da Fidelidade, Vinicius de Moraes

– Via Láctea, Olavo Bilac

– Aninha e suas Pedras, Cora Coralina

– Juca Pirama, Gonçalves Dias

– Poema Sujo, Ferreira Gullar

– O cão sem Plumas, João Cabral de Melo Neto

– Canção do Exílio, Gonçalves Dias

– Versos Íntimos, Augusto dos Anjos (à esquerda)

Quem mais o eventual leitor da Coluna indicaria para completar uma pretendida  relação de vinte nomes?

O poema para este sábado foi escolhido da relação, também por votação, da capixaba Elisa Lucinda.

AMANHECIMENTO.

Nota: O Editor Chefão votou em Vou-me embora prá Passárgada, Manuel Bandeira 

Rubens Pontes

Capim Branco, MG – Linki pra ler Passos, Saltos & Quedas, de Rubens Pontes.
http://online.anyflip.com/mitk/xjqj/mobile/index.html?fbclid=IwAR39mt-wlzHGKBAeTSG7cZOD4etEr38ocVyHkE-rPKkwvhpfI8qfvf7khLE#p=10

Amanhecimento

Elisa Lucinda

De tanta noite que dormi contigo
no sono acordado dos amores
de tudo que desembocamos em amanhecimento
a aurora acabou por virar processo.
Mesmo agora
quando nossos poentes se acumulam
quando nossos destinos se torturam
no acaso ocaso das escolhas
as ternas folhas roçam
a dura parede.
nossa sede se esconde
atrás do tronco da árvore
e geme muda de modo a
só nós ouvirmos.
Vai assim seguindo o desfile das tentativas de nãos
o pio de todas as asneiras
todas as besteiras se acumulam em vão ao pé da montanha
Para um dia partirem em revoada.
Ainda que nos anoiteça
tem manhã nessa invernada
Violões, canções, invenções de alvorada…
Ninguém repara,
nossa noite está acostumada.de tudo que desembocamos em amanhecimento
a aurora acabou por virar processo.
Mesmo agora
quando nossos poentes se acumulam
quando nossos destinos se torturam
no acaso ocaso das escolhas
as ternas folhas roçam
a dura parede.
nossa sede se esconde
atrás do tronco da árvore
e geme muda de modo a
só nós ouvirmos.
Vai assim seguindo o desfile das tentativas de nãos
o pio de todas as asneiras
todas as besteiras se acumulam em vão ao pé da montanha
Para um dia partirem em revoada.
Ainda que nos anoiteça
tem manhã nessa invernada
Violões, canções, invenções de alvorada…

Elisa Lucinda (foto acima à direita).

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