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sbado, 04 de abril de 2020

Aqui Rubens Pontes; Meu poema de sábado – Orla Marítima, de Ruy Belo

 

 

A Coluna relacionou, há algumas semanas, poetas brasileiros que se destacaram na vida literária do País, alguns deles com projeção internacional.

Pelo menos 21 leitores consideraram interessante a iniciativa, e como o tema teve boa resposta pelos que acompanham o Portal Don Oleari. somos levados, , por sugestão do Poderoso Chefão, a estender o assunto a poetas de outros Países.

Mais perto de nós, até porque nossas raízes de lá vieram, enumeramos neste chuvoso sábado de fevereiro os principais poetas portugueses, uma relação que não merecerá crítica de nenhum amante da poesia.

Democraticamente, como determina a filosofia de comportamento do Portal, cada um dos nossos companheiros de redação, em voto aberto, indicou 5 nomes. e, fascinantemente, houve quase unanimidade em pelo menos 9 deles.

A ordem nos nomes não implica necessariamente em prioridade de escolha, e é até possível que algum nome de poeta admirado pelo eventual leitor não conste da relação. Mas dela certamente não haverá qualquer restrição.

Miguel Torga (esquerda)
Fernando Pessoa
Luiz de Camões
Camilo Pessanha (direita)
Bocage
Al Berto
Matilde Campinho
Mário de Sá Carneiro
José Sérgio
Almada Negreiro
Floberla Espanca
José Saramago
Julio Dantas
Guerra Junqueiro

Al Berto (esquerda)

Sophia de Mello Breyner (direita)

Finalmente, Ruy Belo (foto na abertura da coluna), autor de ORLA MARÍTIMA, impecável poema selecionado para compor a coluna deste sábado, foi o mais indicado, mesmo considerando a presença na lista de nomes como Fernando Pessoa e Floberla Espanca.

Sua contemporaneidade certamente justificou a escolha. Ruy Belo, nascido em São João da Ribeira, Rio Maior, em 1933, viveu até 1978, morrendo aos 45 anos de idade.

E a maioria do pessoal aqui da Casa se situa ainda nessa risonha fase da vida.

Em assim sendo, segue-se o poema.

Rubens Pontes
Capim Branco, MG,

Jornalista

RUY BELO

Nasceu a 27 Fevereiro 1933
(Rio Maior, Portugal)
Morreu em 8 Agosto 1978
(Queluz, Portugal)
Rui de Moura Belo foi um poeta e ensaísta português.

Orla Marítima

Rui Belo

O tempo das suaves raparigas
é junto ao mar ao longo das avenidas
ao sol dos solitários dias de dezembro
Tudo ali pára como nas fotografias
É a tarde de agosto o rio a música o teu rosto
alegre e jovem hoje ainda quando tudo ia mudar
És tu surges de branco pela rua antigamente
noite iluminada noite de nuvens ó melhor mulher
(E nos alpes o cansado humanista canta alegremente)
«Mudança possui tudo»? Nada muda
nem sequer o cultor dos sistemáticos cuidados
levanta a dobra da tragédia nestas brancas horas
Deus anda à beira de água calça arregaçada
como um homem se deita como um homem se levanta
Somos crianças feitas para grandes férias
pássaros pedradas de calor
atiradas ao frio em redor
pássaros compêndios de vida
e morte resumida agasalhada em asas
Ali fica o retrato destes dias
Gestos e pensamentos tudo fixo
Manhã dos outros não nossa manhã
pagão solar de uma alegria calma
De terra vem a água e da água a alma
o tempo é a maré que leva e traz
o mar às praias onde eternamente somos
Sabemos agora em que medida merecemos a vida

Ruy Belo | “Obra Poética de Ruy Belo” – Vol. 1, pág. 168 | Editorial Presença Lda., 1984

 

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