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domingo, 05 de julho de 2020

Bacanal! de Manuel Bandeira – Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado

 

O Rio Araguaia, meu antigo refúgio durante os festejos do Carnaval, de repente ficou longe demais para mim.

Em tempos que poeticamente poderia chamar de remotos,
na rota das pescarias no rio Araguaia, cruzávamos as ruas coloniais – quase mineiras – da cidade de Vila Boa de
Goiás, conhecida também como Goiás Velho, passando pela casa da doceira e poeta Cora Coralina.

Na primeira foto com Lena Mara, no estúdio do Portal Don Oleari e na segunda Silvio com Regina.

Nessas pescarias, eu e meu amigo Silvio Santos (na primeira foto com Lena Mara, no estúdio do Portal Don Oleari e na segunda Silvio com Regina), nos deslumbravam belos exemplares da Piraíba e de botos se alimentando (fotos abaixo, à esquerda).

Troquei as pescarias no Rio Araguaia pela leitura de alguns livros que esperavam por isso.

Como a Coluna é sobre poesia, conciliei o útil ao agradável, abrindo páginas de Drummond (à esquerda), Bandeira e Cecília (à direita).

Nosso preclaro e poderoso Chefão, nascido nas plagas colatinenses, que acaba de ter reconhecido seu trabalho no jornalismo capixaba com a outorga do diploma de Honra ao Mérito pela Câmara Municipal de Vitória, acenou-me discretamente para um poema de Manoel Bandeira, “Bacanal”, que também este modesto escriba admira.

Um retrato em preto e branco das comemorações carnavalescas, até mais atual hoje do que à época em que foi escrito.

“Bacanal”, do autor do imortal “Passárgada”, foi, como nada mais me foi dito ou me foi perguntado, o poema escolhido para este sábado.

Para quem gosta, bom Carnaval.

Rubens Pontes

Capim Branco, MG

BACANAL

Manuel Bandeira

Quero beber! cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco…
Evoé Baco!

Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada.
A gargalhar em doudo assomo…
Evoé Momo!

Lacem-na toda, multicores
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venenos…
Evoé Vênus!

Se perguntarem: Que mais queres,
Além de versos e mulheres?…
– Vinhos!… o vinho que é meu fracco!…
Evoé Baco!

O alfanje rútilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que eu não domo!…
Evoé Momo!

A Lira etérea, a grande Lira!…
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos.
Evoé Vênus!

Rubens Pontes,

jornalista

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