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quinta, 04 de junho de 2020

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Canto de Xangô, de Vinícius de Moraes

 

A água condensada em pesadas nuvens continua descendo com fúria

ocasionando uma devastação até então nunca vista entre nós..

Sem Noé, barcos sossobram em entumecidos rios brasileiros causando mortes.

Raios rasgam os céus, trovões ribombam como as trombetas de Jericó (à direita)

provocando deslizamentos e soterrando pessoas.

A queima de palha benta como invocação à Santa Bárbara,

sequer é lembrada como nos antigos tempos.

E a chuva cai, os raios iluminam os céus e os trovões assustam.

Muitos dos nossos companheiros aqui de Casa entendem que a última solução é uma invocação a Xangô, orixá cultuado pelas religiões afro-brasileiras – deus da justiça, dos raios, dos trovões e do fogo.

(Alguém do Portal, entendido nos mistérios do além, lembra ser Ogum

também protetor dos intelectuais).

Como Xangô é a representação máxima do poder de Olorum o quarto Alá à fin Ògó, marido de três esposas – Oyá, Oxum e Obá (abaixo, à esquerda) – entende mais do qualquer outro santo os problemas gerados nas famílias atingidas que, ao contrário do que afirmou o prefeito do Rio de Janeiro, Bispo Crivela, não gostam de morar em áreas de risco.

Por tudo isso e pelo que por ignorância do colunista deixou de ser registrado ou por ele incorretamente tratado, foi escolhido para publicação neste sábado um poema em que seu autor, Vinicius de Moraes, faz um apelo ao Orixá – “Canto de Xangô”.

Kawó, Kabiecilé

Rubens Pontes, Capim Branco, MG

Xangô – Santuário Nacional da Umbanda (à direita)

CANTO DE XANGÔ

Vinicius de Moraes

 

Eu vim de bem longe

Eu vim nem sei mais de onde é que eu vim.

Sou filho do Rei

Muito lutei pra ser o que sou.

Eu sou negro de cor

Mas tudo é só amor em mim

Tudo é só amor em mim.

Xangô Agodó.

Salve, Xangô, meu Rei Senhor,

Salve, meu Orixá

Tem sete cores sua cor

Sete dias para a gente amar.

Mas amor é sofrer

Mas amor é morrer de dor.

Xangô, meu Senhor, Saravá,

Xangô,meu Senhor

Mas me faça sofrer

Mas me faça morrer de amor

Xangô, meu Senhor, Saravá

Xangô Agodô.

Rubens Pontes, jornalista

Capim Branco, MG

Disco Os Afro Sambas (1966), parceria de ouro entre Vinicius de Moraes e Baden Powell. Temática do disco sobre a cultura Afro-brasileira, quando surgiu o conceito de Samba Brasileiro: os Afro-Sambas!

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