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quinta, 04 de junho de 2020

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Canção de Outono, de Cecília Meirelles; Ruínas, de Florbela Espanca

 

Afinal, estamos nos livrando deste verão que tantos transtornos nos causou.

O outono, que se iniciará entre os dias 20 e 21 (*) e se prolongará até os mesmos dias de junho, remarcará os sonhos de poetas e dos boêmios, com as noites gradativamente mais longas do que os dias e os dias cada vez mais curtos..

(*) Início do Outono, também chamado Equinócio de Outono, será dia 20 de março de 2020 exatamente às 00h50m.

Poemas marcam a transição, como Olavo Bilac (à direita) em sua epopeia “O Caçados de Esmeraldas”:

– “Foi em março, ao findar das chuvas,

quase à entrada do outono…”

E Carlos Drummond de Andrade:

– “Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza”.

O Portal Don Oleari, via esta coluna, saúda jubilosamente a chegada do Outono, escolhendo para publicação neste sábado poemas alusivos à estação:

Cecília Meireles e Floberla Espanca, uma de cá, outra de lá, ambas marcadas em nossos corações.

E registra, como afirmação, pensamento do Dalai Lama:

–  “Uma árvore em flor fica despida no outono. A beleza transforma-se em feiura, a juventude em velhice e o erro em virtude. Nada fica sempre igual e nada existe realmente. Portanto, as aparências e o vazio existem simultaneamente.

 

Rubens Pontes, jornalista
Capim Branco, MG

Canção de Outono

Cecília Meirelles

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão…

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
– a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão…

RUÍNAS
Florbela Espanca

Se é sempre Outono o rir das primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair…
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!

E deixa sobre as ruínas crescer heras.
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino de Quimeras!

Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais altos do que as águias pelo ar!

Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!… Deixa-os tombar… deixa-os tombar…

A voz é de Rodrigo Freire

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