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domingo, 07 de junho de 2020

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – À porta de Deus e Nunca vi um campo de urzes, de Emily Dickinson

 

– Enciclopédico e laureado Don Oleari

 

Pouco lida no Brasil, Emily Dickison é reconhecida pelos críticos dos cinco Continentes como a maior poeta da língua inglesa.

Viveu como reclusa durante sua vida adulta, auto-exilada em sua casa durante 20 anos, solteira por convicção.

Nascida em Amhert, Massachussets (EUA), no ano de 1830, até sua morte aos 56 anos de idade, Emily Dickison, ainda assim, se projetaria nos meios da inteligência americana, sendo comparada com Walt Whitman, o fundador da poesia dos Estados Unidos.

Foi somente após sua morte, aos 56 anos de idade, que seus poemas foram encontrados por uma de suas irmã, manuscritos em folhas avulsas e em cadernos comuns.

Em 1955, o crítico e biógrafo Thomas H. Johnson recebeu os originais e os reuniu em uma edição definitiva com seus 1775 poemas, surpreendendo o Mundo com a arte da poeta, escamoteada durante tanto tempo.

Os poemas de Emily Dickison foram traduzidos em diversas línguas, inclusive em português, alguns deles por Manuel Bandeira, como “Á porta de Deus” e “Nunca vi um campo de urzes”, além do esplêndido “Eu nunca perdi tanto”, selecionados para a coluna deste sábado.

Rubens Pontes, jornalista
Capim Branco, MG

 

À PORTA DE DEUS

Emily Dickinson

Tradução: Manuel Bandeira

Duas vezes perdi tudo
E foi debaixo da terra.
Duas vezes parei mendigo
À porta de Deus.
Duas vezes os anjos, descendo dos céus,
Reembolsaram-me das minhas provisões.
Ladrão, banqueiro, pai,
Estou pobre mais uma vez!

NUNCA VI UM CAMPO DE URZES

Emily Dickinson

Tradução: Manuel Bandeira

Nunca vi um campo de urzes.
Também nunca vi o mar.
No entanto sei a urze como é,
Posso a onda imaginar.
Nunca estive no céu,
Nem vi Deus, Todavia
Conheço o sítio como se
Tivesse em mãos um guia.

Eu nunca perdi tanto, mas duas vezes

Emily Dickinson

Eu nunca perdi tanto, mas duas vezes
E isso estava no gramado.
Por duas vezes eu fiquei um mendigo
Diante da porta de Deus!

Anjos, duas vezes descendo,
Reembolsou minha loja.
Ladrão, banqueiro, pai,
Eu sou pobre mais uma vez!

 

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