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tera, 07 de julho de 2020

Aqui Rubens Pontes – Meu poema de Sábado / A Ciganinha e Soneto-Oração, de Miguel de Cervantes

 

 

O livro Dom Quixote de La Mancha, apontado por muitos críticos como uma das maiores obras da literatura mundial, em todos os tempos, eclipsou o extenso trabalho de Miguel de Cervantes Saavedra como dramaturgo, poeta, precursor do realismo na Espanha, um guerreiro que lutou no exército espanhol contra o império turco, em Lepanto, e na África, onde foi capturado e permaneceu 5 anos como prisioneiro de guerra.

Teve editados pelo menos dez romances, além de sua insuperável obra prima, sem nunca ter concluído qualquer curso escolar.

Nascido em 1547 na cidade espanhola Alcalá de Henares, somente aos 58 anos de idade Miguel de Cervantes escreveu a primeira parte de Dom Quixote, só completada em 1615, obra que, passados tantos séculos, permanece como fonte de estudos e referência em todo o Mundo.

O inquieto guerreiro e indomável escritor tem, no entanto, seu lado romântico, pouco divulgado certamente pela força do extraordinário Dom Quixote que nunca deixou de ser lido e admirado ao longo de quatrocentos anos em todo o Mundo..

O Portal Don Oleari, por esta Coluna, mostra a alma desnuda e sensível do poeta que Cervantes também foi, publicando duas de sua obra poética, que também foi extensa: A CIGANINHA e SONETO-ORAÇÃO.

Rubens Pontes
Capim Branco, MG,

jornalista

A CIGANINHA
Tradução de José Jeronymo Rivera

Quando Preciosa a pandeireta toca,
e fere o doce som os ares vãos,
pérolas são que espalha com suas mãos,
flores são que arremessa de sua boca.

A alma fica suspensa, a mente louca
aos atos sobrehumanos sem ação,
que por limpos, honestos e por sãos
sua fama lá no céu mais alto toca.

Pendentes do menor de seus cabelos
mil almas leva, e ajoelhado tem
Amor, que uma e outra flecha aos pés lhe deita:

cega e ilumina com seus raios belos,
seu trono Amor por eles se mantém,
e mais grandezas de seu ser suspeita.

SONETO-ORAÇÃO
Tradução de Anderson Braga Horta

A Ti recorro, grão Senhor, que alçaste,
à custa de teu sangue e tua vida,
a mísera de Adão primeira caída,
e onde ele nos perdeu, lá nos cobraste;

a Ti, Pastor bendito, que buscaste
dentre as cem ovelhinhas a perdida,
e, encontrando-a do lobo perseguida,
sobre os teus ombros santos a deitaste.

A Ti recorro na aflição amarga,
e a Ti cabe, Senhor, o dar-me ajuda:
cordeiro sou de teu aprisco ausente

e temo que na via estreita ou larga,
quando a meu mal teu braço não acuda,
venha alcançar-me essa infernal serpente.

Extraídos de POETAS DO SÉCULO DE OURO ESPANHOL: POETAS DEL SIGLO DE ORO ESPAÑOL / Seleção e tradução de Anderson Braga Horta; Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera; estudo introdutório de Manuel Morillo Caballero. Brasília: Thesaurus; Consejería de Educación y Ciência de la Embajada de España, 2000. 343 p. (Coleção Orellana – Colección Orellana; 12) ISBN 85-7062-250-7

 

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