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sbado, 26 de setembro de 2020

Aqui Rubens Pontes – Meu Poema de sábado / Seu último verão; Farol; Rede; e Velho Estaleiro, de Horacio Peñaherrera

 

Anamnéstico Poderoso Chefão:

 

Confesso algum pudor em dizer que só agora, neste período de longas leituras durante a epidemia que nos nos leva ao refúgio ilhado da nossa casa, ter tomado conhecimento da obra de um dos mais instigantes poetas de língua espanhola do lado de cá do Mundo.

Horacio Peñaherrera (foto), Prêmio Nacional “Eugênio Velasquez” de poesia do governo equatoriano, marca internacionalmente o nome do poeta, escritor, promotor cultural, professor de literatura na Universidade “Eloy Alfaro”, em Manabi, filho de outro renomado versejador do Equador, Horacio Hidrovo Velasquez (abaixo, esquerda).

Horacio Peñaherrera nasceu na cidade de Santa Ana, deixando editados, antes de sua morte em 2012, mais de 20 livros de poemas, com destaque para “La Maravillosa Sensacion de Vivir”.

O Portal Don Oleari e a Coluna prestam reverência ao insigne mestre da poesia equatoriana publicando, neste sábado, quatro curtos poemas de Horacio Peñaherrera – SEU ULTIMO VERÃO, FAROL, REDE E VELHO ESTALEIRO.

Rubens Pontes
Capim Branco, MG, jornalista

SEU ÚLTIMO VERÃO
Horacio Peñaherrera

A Alberto Molina Vélez

O verão deslizava lentamente
sobre as últimas escadas do crepúsculo.
Chovia vento na cidade,
vento de um verão apressado.
Suspensas no cordões da tarde
as andorinhas desorganizavam pentagramas
nos imensos murais do Outono
Alberto chegou com sua fadiga de costume
tentando alcançar os últimos sonhos;
chegou com seu passou de urgências guardadas.
A cidade, sua cidade, havia crescido
como os milharais depois da chuva.
Já não trouxe o alforje cheio de cartas do passado,
apenas um frio intenso,
como quando um pouco de neve
dependurado num ramo do inverno.

(Tradução de Antonio Miranda)

FAROL

Os navios e os pescadores
Gastaram tua pupila.
Viste a escravidão
dos que não podem partir,
por isso teus sonhos ficaram
com o cansaço do cais.

REDE

Deitada sobre os andaimes do tempo
te abandonaram.
O vento perfurou tuas cordas
e deixou cicatrizes de areia
te assemelhas a um velho pescador
contemplando o marulho
de um mar que já não é seu.

VELHO ESTALEIRO

Um remoinho de gaivotas mergulha em teu passado.
Sobre tua coluna vertebral
foram semeadas
as mãos bronzeadas dos artesãos.
Eles sempre contemplaram o mar
Como um amigo distante.
Agora apenas desliza o vento
em sua velha ferragem
e os pescadores cavalgando a noite.

 

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