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quarta, 28 de outubro de 2020

Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado – Textos de Hailé Selassié; “War”, Bob Marley

“… enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho nos olhos, haverá guerra”

 

Localizado na região conhecida como Chifre da África, sem acesso ao mar, o Império Etíope – Abissínia e Eritreia – remonta, segundo achados arqueológicos, mais de 3 mil de anos.

Seus atuais 110 milhões de habitantes se originam de aborígenes africanos de fala aramaica, e o nome mais importante de sua História é o do imperador Hailé Selassié, batizado como Tafari Makonnen, membro de uma linhagem que faz remontar ao Rei Salomão e à Rainha de Sabá.

Tafari Maknnen nasceu em 1892 no nordeste de Etiópia. Tornou-se rei aos 38 anos e imperador até sua morte, em 1975.

Monarca tradicionalista, no entanto lançou as bases da moderna Etiópia, criador da primeira Constituição, com Parlamento e Código de Justiça.

Durante seu reinado, foi criada a primeira universidade e instaladas escolas e hospitais, tendo rodado o Mundo em busca de parcerias para implantação de seu projeto de modernização do País.

Nesse período, esteve no Brasil em 1960, recebido pelo presidente Juscelino Kubitschek na recém-fundada Brasília, com honras de chefe de Estado (à direita).

Com esse rápido registro, o Portal e a Coluna pretendem, na verdade, revelar aos seus leitores o lado místico e humano do Rei de Judá.

Situados a cerca de 13 mil quilômetros da Etiópia, os rastafáris jamaicanos viam nacoroação de Tafari Maknnen – Hailé Selassié – o Deus (Jah) encarnado, o Deus vivo, no cumprimento de uma profecia que assegurava ser ele o seu redentor, o Messias, o “Rei dos Reis, Senhor dos Senhores”.

Bob Marley, o grande intérprete do reggae, o venerava, e sua canção “WAR” tornou internacionalmente famosa a fala – um poema! – de Hailé Selassié na Liga das Nações, em 1976.

Com algumas citações que demonstram sua visão de uma realidade universal,

“… enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho nos olhos, haverá guerra”, e alguns dos seus pensamentos que mostram uma espiritualidade insistentemente evidenciada, recordamos com os que acompanham o Portal Don Oleari WAR, um tema para ser guardado na gaveta mais íntima do nosso arquivo pessoal..

Rubens Pontes
Capim Branco, MG, jornalista

Religiosidade e espiritualidade

Devemos parar de confundir religiosidade e espiritualidade. Religião é um conjunto de regras, regulamentos
e ritos criados pelos homens com o objetivo de ajudar a espiritualidade das pessoas; devido à imperfeição
do homem, a religião tem se tornado corrupta, política, divisiva e uma ferramenta de força.

Espiritualidade não é teologia ou ideologia, é simplesmente um modo de vida puro e original dado pelo todo poderoso; espiritualidade é uma rede que nos aproxima do todo poderoso, das pessoas e do universo como um todo (Haile Selassie).

Raça superior e raça inferior

Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente
desacreditada e abandonada; enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de
qualquer nação; enquanto a cor da pele de uma pessoa for mais importante que a cor dos seus olhos; enquanto
não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos
de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão
fugaz, a ser perseguida mas nunca alcançada.

E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa-vontade, enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a Paz.

Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do
bem sobre o mal (Haile Selassie).

War

Um dos discursos mais famosos de Hailé Selassié foi o que fez na Liga das Nações (futura ONU) em 1936,
pouco antes de eclodir a Segunda Guerra Mundial. A organização internacional procurava assegurar a paz
no mundo.

A fala do imperador na ocasião inspirou a canção que ficou famosa na voz do cantor de reggae jamaicano
Bob Marley no ano de 1976: War (veja no final da coluna).

A cor da pele

Enquanto a cor da pele de uma pessoa não for mais importante que a cor
dos seus olhos;

enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças;

até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão
continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida mas nunca alcançada.

[…] Enquanto todos os africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos
os homens como são no Céu, até esse dia, o continente africano não conhecerá a paz (Haile Selassie).

 

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