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sbado, 31 de outubro de 2020

Aqui Rubens Pontes – Meus poemas de sábado – Se eu morrer antes de você, de Chico Xavier

 

 

Impossível deixar de abordar, mesmo nesta coluna voltada para coisas amenas, o problema que afeta em nível já sem precedentes a população da Terra.

Até o principio desta primeira semana de outubro foram registrados pela OMS – Organização Mundial e Saúde – nos 5 Continentes, 35 milhões, 519 mil e 101 casos da endemia com espantosos 1 milhão, 45 mil e 533 mortes.

A região mais agredida é a nossa, os países da América, onde o número de contaminados, até então, era de 17 milhões, 101 mil e 686 casos, com a morte de 570 mil 746 infectados.

O vírus não seleciona pessoas ou áreas geográficas. Do presidente dos Estados Unidos ao pajé dos índios Ianomamis; do maior Estado brasileiro à pequena província do Urbasquitão ninguém está imune.

Ainda nesta semana, a OMS declarou não ser possível prever quando, e se, o novo coronavírus (Sars-CoV-2) vai desaparecer, afirmando ainda que ele pode se tornar endêmico – como o HIV.

  • (ver mais em https:/www.uol.com.br/vivabem/noticias/redação/2020/05/15/endêmico-entenda-o -que é –

o- possível – próximo-estágio-do-novo-coronavírus. htm).

O Portal e o Colunista acreditam, no entanto, que essa dura lição a nós imposta será superadae que a ciência, afinal acordada, poderá imperar sobre a truculência e a soberba do capitalismo humano e medieval.

Foi quando ressoou o alerta do companheiro do Portal Don Oleari:

– Sei não. Nem os orixás ouviram o apelo de Clara Nunes, hoje até mais atual:

“Iansã, cadê Ogum?
Foi pro mar.
Mas Iansã cadê Ogum?
Foi pro mar…”

Nunca impondo suas convicções pessoais, o Poderoso Chefão Don Oleari, atento ao rumo da conversa, menos pessimista embora realista, chamou nossa atenção, para um texto que nos pareceu uma oração para lenitivo das nossas angústias neste dramático Século XXI.

“Todas as coisas na Terra passam.
Os dias de dificuldade passarão.
Passarão também os dias de amargura e solidão.
As dores e as lágrimas passarão.
As frustrações que nos fazem chorar, um dia passarão.
A saudade do ser querido que se vai, na mão da morte, passará.
Os dias de glórias e triunfos mundanos em que nos julgamos
maiores e melhores do que os outros, igualmente passarão.
A vaidade interna, que nos faz sentir como o centro do Universo,
um dia passará.”

(Texto escrito em 2012 pelo medium Chico Xavier).

A lembrança da autoria do atualíssimo texto nos inspirou na escolha do poema para este sábado. É do poeta que ele foi quando, na sua juventude em Pedro Leopoldo, sua cidade natal, Francisco Cândido compunha versos para alumbrar as mocinhas do seu tempo.

‘SE EU MORRER ANTES DE VOCÊ é o poema escolhido até por sua permanência no tempo e no espaço.

Rubens Pontes, jornalista
Capim Branco, MG

N.R. – Chico Xavier, que estaria agora comemorando seu centenário de vida, escreveu mais de 400 obras literárias, somando quase 30 milhões de exemplares.

Se eu morrer antes de você

Chico Xavier

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:
Chore o quanto quiser, mas não brigue com
Deus por Ele haver me levado.

Se não quiser chorar, não chore.
Se não conseguir chorar, não se preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria.

Se alguns amigos contarem algum fato a
meu respeito, ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.

Se me criticarem demais, defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri,
mostre que eu tinha um pouco de santo, mas
estava longe de ser o santo que me pintam.

Se me quiserem fazer um demônio, mostre que
eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas
que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.

Espero estar com Ele o suficiente para continuar
sendo útil a você, lá onde estiver.

E se tiver vontade de escrever alguma coisa
sobre mim, diga apenas uma frase:
“Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis
mais perto de Deus!”

Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas
não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar.

E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de
minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha
na direção de Deus.

Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz
vendo você olhar para Ele.
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí,
sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver,
em Deus, a amizade que aqui nos preparou
para Ele.

Você acredita nessas coisas?

Então ore para que nós vivamos como quem
sabe que vai morrer um dia, e que morramos
como quem soube viver direito.

Amizade só faz sentido se traz o céu para
mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo
o seu começo. Mas, se eu morrer antes de
você, acho que não vou estranhar o  céu..
Ser seu amigo… já é um pedaço dele…”

(Chico Xavier)

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