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tera, 24 de novembro de 2020

Aqui Rubens Pontes – Meus poemas de sábado – Poema Corolário do masculino e do feminino

– É conhecido o episódio ocorrido no Império Romano do casamento do imperador Nero (esquerda) com um jovem chamado Esporo (centro), um escravo tomado pelo imperador para “sua esposa”.

 

Embora ainda cause estranheza em círculos mais conservadores da sociedade brasileira, o casamento homo afetivo é legalmente aceito no País desde 2013, por decisão do CNJ – Conselho Nacional de Justiça.

Chega a ser curiosa a constatação da redução, em 2018, dos casamentos civis em 1,6% e o aumento de 61,65% das uniões entre pessoas do mesmo sexo, que somaram 9 mil 520, dos quais 5 mil 562 mulheres com mulheres, 3 mil 958 homens com homens (82,12% desse total no Nordeste).

Essa forma de unir casais, de expressão recente entre nós, no entanto, séculos passados, já era aceita e praticada.

Na Dinastia chinesa de Ming, as mulheres comprometiam-se com outras mulheres mais jovens, e os homens entravam igualmente em acordos semelhantes.

Anais da História registram o casamento, no ano de 1061, na província de Rariz de Veiga – atual Espanha – de Pedro Dias com Muño Vandilas, para a época surpreendentemente oficiado por um padre numa pequena capela local, mostrada na foto à direita, na antiga Galícia.

É conhecido o episódio ocorrido no Império Romano do casamento do imperador Nero com um jovem chamado Esporo, um escravo tomado pelo imperador para “sua esposa”. Ocorreu longo espaço de tempo em que o fato se transformou em tabu, hoje superado em 30 países dos 5 Continentes.

Não mais causa espanto no Brasil, e vemos algumas figuras representativas da nossa sociedade, mais expostas pela sua atividade nos meios da Comunicação, vivendo com normalidade união homo afetiva.

Alice Braga e Bianca Comparato (foto à esquerda); Leilane Neubarth e Isabela Bellenzari (abaixo, esquerda);  Fernanda Gentil e Priscila Montadom;  Paulo Gustavo e Thales Bretas; Gilberto Braga e Edgar Moura Brasil (juntos há mais de 40 anos, à direita); Camila Pitanga e Beatriz Coelho (à esquerda); Daniela Mercury e Malu Verçosa (à direita).

O que se vê no plano do Judiciário está expresso na sentença de juiz da Primeira Vara da Família, em Pernambuco, determinando o casamento de dois funcionários da Corte, citando Fernando Pessoa na sua decisão:

“O amor é que é essencial
o sexo é só um acidente
Pode ser igual
Ou diferente.
O homem não é um animal
É uma carne inteligente”.

No plano da Igreja Católica, sentenciou o Papa Francisco:

– “Pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família, como filhos de Deus que são. O que temos que criar é uma lei de união civil. Dessa forma, eles ficam protegidos. Eu me posiciono por isso”.

O Portal Don Oleari se mantém equidistante como observador do fenômeno, defendendo a tese de que o homem e a mulher são sempre livres para escolher, em todas as áreas do comportamento humano, o melhor caminho para sua realização pessoal.

Esse tema foi entoado em prosa e em verso nas diversas vertentes da literatura brasileira e mundial como fora, igualmente, tratado pelos deuses da mitologia grega, e entre um e outro, pelas sucessivas gerações que ocuparam o tempo e o espaço.

O poema escolhido pela Coluna para este sábado de outubro chegando ao fim, foi recolhido do livro “Mitologia Viva”, de Viktor D. Salis (Editora Nova Alexandria).

À direita, capa do livro de Rubens Pontes, edição impressa.

Rubens Pontes, jornalista
Capim Branco, MG

POEMA COROLÁRIO DO MASCULINO E DO FEMININO

Eu, o grande Zeus, determino que:

“Não houvesse homem totalmente masculino

Não houvesse mulher totalmente feminina

De ora em diante:

Há homens que buscam na mulher sua parte feminina

Há mulheres que buscam no homem sua parte masculina.

Há homens que buscam seu masculino na mulher

Há mulheres que buscam seu feminino no homem.

Há homens que buscam seu masculino no homem

Há mulheres que buscam seu feminino na mulher.

Há homens que buscam no homem e na mulher seu masculino e seu feminino

Há homens que não buscam nem o homem nem a mulher.

Há homens que buscam a si mesmos tão somente

Há mulheres que buscam a si mesmas tão somente.

Há homens que não buscam

Há mulheres que não buscam.

Há os mortos e as mortas.”

 

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