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quarta, 27 de janeiro de 2021

Aqui Rubens Pontes: Meus poemas de sábado / Manuel Bandeira, Mario de Sá-Carneiro, Carlos Drummond de Andrade, Miguel Torga, Vinícius de Moraes e Fernando Pessoa

 

JESUS MÍSTICO ENVIADO POR DEUS
JESUS O HOMEM DE GRANDE SABEDORIA

Mateus 1:18-25

O nascimento de Jesus Cristo

“Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas antes de se unirem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas depois de ter pensado assim, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará seu povo dos seus pecados.”

(Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta.

– “A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel, que significa “Deus conosco”.

Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relação com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.”

Ao leigo, pode causar surpresa e até incredulidade a narrativa de algumas passagens da vida de quem a humanidade cristã tem como seu redentor, mas aos que tem fé e aos pesquisadores da História não causam elas nenhuma perplexidade.

Com passagens pouco conhecidas e por via de consequência pouco divulgadas, apenas estudiosos sem preocupação religiosa buscam evidências que mostram um outro lado da personalidade de Jesus..

A equipe de produção do Portal realizou levantamento sobre esse lado pouco divulgado da vida de Jesus, buscando subsídios principalmente em trabalho do jornalista e escritor espanhol Juan Arias (foto) (*).

A História da humanidade registra, e além dela e até acima dela, fatos passados há mais de dois mil anos que a turbulência do nosso Mundo não conseguiu apagar.

O local de nascimento de Jesus, para que se cumprissem as profecias, deveria ser Belém, onde vivia a estirpe de Davi, mas Jesus e toda sua família eram de Nazaré.

Jesus pode ter trabalhado na construção da cidade de Séforis.

Dois dos quatro evangelhos canônicos, o de Marcos, considerado o mais antigo, e o de João, iniciam o relato da vida de Jesus quando ele já era adulto, dando como certo que Jesus e toda sua família eram oriundos da aldeia de Nazaré, tão pequena que não aparece nos mapas daquele tempo.

Tão rural, que nela se falava um dialeto do aramaico, quando o hebraico havia se transformado em língua de culto. Localidade tão insignificante naquele tempo que os fariseus, diante da dimensão que ganhava o nome de Jesus, perguntavam com ironia “se em Nazaré era possível fazer algo bom”.

Uma coisa, porém, é certa: ninguém sabe o que Jesus fez até os 30 anos, quando iniciou sua pregação, surpreendendo os que o apontavam como analfabeto.

Como esclarecer o fato, como Jesus podia conhecer e saber tanto após viver até os 30 anos no pequeno povoado da Galileia trabalhando como carpinteiro e como pedreiro?

Jesus se mostrava capaz de discutir com os doutores da lei, conhecia os textos sagrados do judaísmo, várias culturas como a grega e a dos gnósticos e outras religiões como o budismo.

Jesus era culto e intelectuais como Nicodemos iam se encontrar com ele de noite, às escondidas, para discutir questões filosóficas como a da metamorfose indispensável para poder dar um salto quântico, do frio culto à lei, para a liberdade de espírito do novo Reino por ele anunciado.

São levantadas hipóteses de que em vez de ter ficado em Nazaré teria Jesus viajado ao Egito e até à Índia durante sua juventude.

Conhecia bem a cultura grega. Quando os apóstolos lhe apresentam um grupo de gregos que queria conhecê-lo, usou com eles uma ironia. Sabendo que para os gregos a beleza corporal era fundamental e critério de poder, Jesus lhes contou a parábola da semente, que se não apodrecer na terra e não for coberta de esterco, não nascerá e não dará frutos.

O oposto aos critérios puros da estética da beleza grega.

Mais de dois mil anos se passaram deste aquele dia na manjedoura e a imagem de Jesus Cristo continua viva como símbolo do amor, sentimento que mais do que nunca necessita ser renovado no coração endurecido da humanidade.

A foto revela descoberta de suposta casa da época de Jesus, a primeira de muitas pesquisas.

Para o Portal Don Oleari e todos os que nele trabalham a postura é uma só: – Se Jesus nasceu em Belém ou em Nazaré, no dia 25 de dezembro ou em outra data, a constatação é irrelevante. Vale a pena ainda assim comemorar
o Natal, porque essa comemoração evoca a vontade do ser humano de parar uma vez por ano para jubilar a vida, para apostar na paz, abrir um parênteses  para o perdão e aceitação dos outros, principalmente dos diferentes.

Seis poemas selecionados marcam a abertura dos nossos braços para acolher, num mesmo voto de feliz Natal, todas as mulheres e todos os homens de boa vontade.

Rubens Pontes, jornalista
Capim Branco, MG

Canto de Natal

Manuel Bandeira

O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.
Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.

A Noite de Natal

Mário de Sá-Carneiro

Em a noite de Natal
Alegram-se os pequenitos;
Pois sabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos.
Vão se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes.
Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus lhes não deu nada.
– Deu-lhes sim, muitos bonitos.
– Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos.

O Que Fizeram do Natal

Carlos Drummond de Andrade

Natal
O sino toca fino.
Não tem neves, não tem gelos.
Natal.
Já nasceu o deus menino.
As beatas foram ver,
Encontraram o coitadinho
(Natal)
mais o boi mais o burrinho
e lá em cima
a estrelinha alumiando.
Natal.
As beatas ajoelharam
e adoraram o deus nuzinho
mas as filhas das beatas
e os namorados das filhas
foram dançar black-bottom
nos clubes sem presépio.

História Antiga

Miguel Torga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.
Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

Poema de Natal

Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Natal

Fernando Pessoa

Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
‘Stou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

(*) Juan Arias é correspondente no Brasil do jornal espanhol El Pais. Jornalista, estudou filosofia, teologia, psicologia, línguas semíticasna Universidade de Roma.

Detentor de vários prêmios internacionais de jornalismo. Antes de vir para o Brasil, foi durante 14 anos correspondente do jornal no Vaticano.

É autor premiado também como escritor, com livros já traduzidos para o português.

Juan Arias em Madri / Foto: Miguel Gener.

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