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quarta, 27 de janeiro de 2021

Aqui Rubens Pontes – Meus Poemas de sábado \ Rios, de Viviane Mosé

A Coluna se inicia assim neste mês de janeiro de 2021 com  novo formato, abrindo  semanalmente  mais espaço para poetas capixabas, consagrados  ou iniciantes.

O Portal Don Oleari e os que nele atuam dobramos o “Cabo  das Tormentas” na linguagem náutica dos grandes descobridores.

Mesmo distante de nós, Noé sua Arca salvadora, quase revivendo o penoso  percurso  de  Dante nos subterrâneos do  Inferno,  mas, ainda assim  e  mesmo assim, ultrapassamos, deixando para trás, superados   com  algumas   conquistas  e boas memórias profissionais,  o dramático ano chamado  2020.

Para nós, do Portal Dom Oleari, não soaram as Trombetas de Jericó,  continuando de pé nossas convicções de que ideal e profissionalismo  alicerçam  o irremovível propósito de se praticar um bom jornalismo. O que tem sido feito e o que continuará sendo feito, assegura o Comendador Oleari,  seu idealizador, criador e mantenedor.

Mas já é 2021. Taças e garrafas recolhidas, retornamos aos nossos espaços para dar continuidade ao que nos propomos.

O Poderoso Chefão sugeriu e o colunista concordou.  Até porque “sugestão” dele partindo é para ser entendida como mais do que isso…

A Coluna se inicia assim neste mês de janeiro de 2021 com  novo formato, abrindo  semanalmente  mais espaço para poetas capixabas, consagrados  ou iniciantes, sem abrir mão do trabalho de pesquisa, no tempo e no espaço, de autores que  nunca podem ser esquecidos.

Do nosso meio, por exemplo, entre os grandes nomes que ultrapassaram fronteiras  e se tornaram nacionais por seu talento e inspiração,  Viviane  Mosé (à dirita) alçou-se  muito jovem ao mais alto degrau do Panteon  brasileiro da fama.

Nasceu em Vitória, num janeiro como este que cursamos, no ano de 1964, migrando para o Rio de Janeiro em 1992.

Psicóloga  e  psicanalista pela UFES – Universidade  Federal do Espírito Santo, onde  aos 18 anos de idade foi a primeira presidente do seu Centro Acadêmico, Viviane Mosé  fez mestrado e doutorado   em  Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade  Federal do Rio de Janeiro.

Foi também lá que  Viviane  Mosé  conquistou, em curto espaço de tempo, com seu indiscutível  e trepidante talento, invulgar projeção em  novas frentes além da sua formação acadêmica.

No disputadíssimo cenário da televisão, ocupou naturalmente espaços como produtora e apresentadora durante dois anos, 2005 e 2006, do quadro “Ser ou não  Ser” no Fantástico da TV Globo, e atuando ao vivo no programa de Fátima Bernardes, na mesma emissora.

Sua atuação nos meios  da radiofonia a levou à atual Direção de Conteúdo da Usina Pensamento da Radio CBN, mesma emissora onde apresenta com Carlos Heitor Cony e Artur Xexéu o programa “Liberdade de Expressão”.

Compositora,  teve poemas musicados  em parceria com a cantora Martinália  (“Contradição” e “Você  não me balança mais”), gravadas  por ela e por Emilio Santiago.

Como escritora e poeta a capixaba Viviane Mosé teve um de seus livros indicados ao Prêmio Jabuti, em 2002.

Participou da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, da Feira do Livro de Fortaleza e de Porto Alegre, do Festival de Inverso de Ouro Preto, do Festival de Teatro de São José do Rio Preto, Rio Cena Contemporânea, Festival Carioca  de  Poesia,  e  da Bienal Internacional de Poesia.

Seu primeiro livro de poesia foi produzido e publicado em Vitória, “Escritos”, 1990, (UFES) e é dele o poema RIOS selecionado para a Coluna deste sábado.

Com discretos aplausos do nosso Big Shot – o Poderoso Chefão…

Rubens Pontes, jornalista, escritor

Capim Branco, MG

 

Rios

Viviane Mosé

Rios, quando ainda são rios,

Conservam vegetação nas margens.

Córregos são águas geralmente claras

Que correm rasas entre as pedras.

 

Algumas vezes árvores chegam a cobrir um rio por inteiro:

Suas copas vão tecendo um véu verde sobre as águas

(em geral muito limpas) que correm.

 

As margens de um rio são plantas e terra molhada.

Terra e água em convivência pacífica.

Que não é lama, é terra e água,

Em sua diferença.

 

O leito se sabe leito daquele fluxo líquido inserido no chão.

Eu poderia chorar de coisas assim:

Corre um rio de minha boca corre um rio de minhas mãos.

Dos meus olhos corre um rio.

 

Na verdade sofro de excessos, que me dão certo vocabulário

Como derramar, escorrer, atravessar.

Tenho a impressão de que tudo vaza em sobras.

Tenho dificuldade em caber.

 

Pra caber mais derramo por nada derramo sem motivo.

Vou acalmar meu excesso pensei

Ministrando doses diárias de barcos ancorados ao sol,

Rodeados por pequenos pássaros em busca de restos de peixe.

 

Águas se lançando sobre as pedras e um vento que parece vivo,

Como se tivesse a intenção de às vezes fazer agrados

Em minha pele.

 

Meu rosto tem muita simpatia por ventos,

Reconhece certos humores próprios a vento.

Gosto de coisas que se movem.

 

Por isso aprecio rios e não sou tanto assim apegada a mares.

E árvores.

Se bem que tenho enorme ternura por bois

Fincados no pasto como palavras no papel.

 

Palavras são estacas fincadas ao chão.

Pedras onde piso nessa imensa correnteza que atravesso.

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