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Aqui Rubens Pontes – Meus poemas de sábado – De Fabíola Mazzini, Um dia de sol perfeito

 

Não há como ignorar a informação que chega à redação do Portal Don Oleari:

– a sonda chinesa Tianwen1 – lançada em julho de 2020 – desce no duro e áspero solo de Marte e envia as primeiras imagens para a Terra (foto).

Duas outras, lançadas pelos Estados Unidos e pelos  Emirados Árabes, estão prestes  a chegar ao Planeta  Vermelho.

A inflamável notícia não provoca a emoção que seria natural, certamente por força da  ação demolidora do Corona Vírus, mas a conquista obtida pelos terráqueos  era até muito pouco tempo vista como a própria distância que nos separa do planeta vermelho:

– 62,7 milhões de quilômetros,  agora confirmando  o desdobramento dos sonhos  desde a  mais remota antiguidade.

Em 1502, Leonardo da Vinci, um exemplo, imaginou e desenhou projeto de um artefato capaz de voar superando a gravidade (foto).

Júlio Verne, em 1873, escritor de ficção científica, pode, com essa ideia de possibilidade, escrever sua “Viagem em Volta do Mundo em 80 dias.”, a bordo de uma aeronave.

Em 1906, Santos Dumont sistematizou a ideia e construiu o aeroplano (*), e, depois dele, construíram-se as modernas aeronaves que fizeram o homem sonhar com a conquista do espaço.

(*) Embora a história registre que os Irmãos Wright tenham feito um vôo longo antes de Santos Dumont.

Isaac Azimov, outro escritor de ficção científica, pôde, no seu impossível tempo, com essa ideia de conquista, levar em seus livros de ficção o homem a superar espaços e, vencendo os céus, chegar à Lua.

Em 1961, nave russa superou a gravidade e orbitou o planeta Terra.

Gagarin foi o primeiro homem a ver a Terra do alto. E de lá disse:

– “A Terra é azul”.

Finalmente, em 1969, a Nasa  recuperou a fascinante história de Leonardo da Vinci e  construiu  a nave espacial que levou o homem à Lua,  hoje quase uma rotina  para os terráqueos.

A próxima meta seria Marte, afinal conquistada. O mestre renascentista deve estar rindo de satisfação.

A  LITERATURA SE INSERE NA HISTÓRIA

O Poderoso Chefão Don Oleari, denotando embora indisfarçável indulgência, aceita discretamente essas ponderações, mas, por outro lado, concorda  plenamente com a ideia de que no campo da criatividade humana voltada para a literatura, os precursores foram alicerces decisivos para a construção do que temos hoje

Registro dos últimos 53 anos, apenas uma geração, no nosso caso, o Espírito Santo é um demonstrativo exemplo.

Em 1967, o então presidente general Costa e Silva foi iluminado ao nomear Christiano Dias Lopes para governar o Estado do Espírito Santo (à esquerda).

No seu projeto de governo, o novo chefe do Executivo capixaba indicou para presidir a Companhia de Desenvolvimento Econômico, Arthur Carlos Gerhardt Santos (à direita, entre o radialista Geraldo Pereira, dono da Rádio Difusora de Colatina, nossa terra, e do senador Moacir Dalla).

Dois homens públicos, políticos e gestores, mas também dois  humanistas,  personalidades  que tinham por fé  conciliar gestão pública com o desenvolvimento das artes e da ciência. Christiano criou a Fundaão Cultura do ES depois de uma conversa longa com o professor Luis Manoel Nalin e o jornalista Oswaldo Oleare no Edifício Navegação, ao lado dos Correiros e Telégrafos, centro velho de Vitória/ES.

Os desdobramentos ocorreram naturalmente.

Apenas um ano decorrido, em 1968 foi criado o Clube da Poesia, iniciativa de Olival Matos Peçanha e Fernando Tatagiba (à direita – Não consegui uma foto sequer de Olival Matos Peçanha). À esquerda, Renato Viana Soares.

Em 1969, uma antologia reuniu poemas de Xerxes Gusmão Neto, Ronaldo Alves, Domingos Azevedo, Olival Peçanha.

A Fundação Cultural do Espírito Santo, em 1977, com Fernando Achiamé (à direita), abriu espaços para o surgimento de poetas como Maciel de Aguiar  (elogiado por Jorge  Amado e Assis Brasil), Renato Viana Soares.

1978 foi um ano dourado, iluminado pela poesia de Carlos Chenier, Amylton de Almeida, João Amorim Coutinho, Bernadette Lyra, Osmar Silva, Jairo Brito, Olival Pessanha, José Irmo Goring, Paulo Torre.

Mais um ano passado e os capixabas tornaram o ano de 1978 numa enciclopédia poética, elencando autores com projeção nacional: – Carlos Chenier, Amylton de Almeida,  Bernadete Lyra, José Irmo Goring, Paulo Torre (à esquerda, com Paulo Bonates), João Amorim Coutinho, Osmar Silva.

 

Fotos – Nota do Editor Chefão: atrasei a postagem da coluna por pesquisar fotos dos poetas citados por Rubens Pontes. Não consegui fotos de Osmar Silva, João Amorim Coutinho, Olival Matos Peçanha, Carlos Chenier Magalhães, entroutros. Nem mesmo da poeta Fabíola Mazzini. 

O espaço é curto para enumeração das conquistas dos nossos poetas no plano da poesia brasileira desde quando o jornal A Gazeta do dia  4  de  setembro de 1977 comunicou em editorial: – “estamos abrindo espaços para autores novos inéditos”.

Novos nomes

Nos novos tempos, novos nomes ocuparam novos espaço e novos poetas marcaram presença com produções de altíssimo nível.

Portal e a Coluna destacam a listagem de cinco poetas da nova geração, apostas dos  editores literários Marilia Carneiro (esquerda), Livia Coberllari e Saulo Ribeiro: Brunella Brunello, Fabiola Mazzini, Fernanda Tatagiba, Maciel Cordeiro, Getúlio Souza.

Cinco nomes que se inserem numa relação de muitos outros que marcam com sua inspiração criativa um novo período na poesia capixaba.

O Portal Don Oleari, via esta Coluna, rende homenagens aos cinco autores apontados publicando “UM DIA DE SOL PERFEITO”, da poeta Fabíola Mazzini.

 

Rubens Pontes, jornalista

Capim Branco, MG.

O livro de Rubens Pontes em edição física (1) e edição infernética (2).

UM DIA DE SOL PERFEITO

Fabíola Mazzini

No silêncio amarelo claro

Ao longe, o mar brilha

O pranto dos esquecidos

As lágrimas, o seu vasto sal

Morrem no regaço do silêncio

Eu espero na praia

Um refugiado pra salvar

Espero a esmo

Mas pronta a ser um oásis

Trago a retina densa e compacta

Como se afogada na areia

Espero como quem lança

Um encanto contra o mal

Espero como quem sonha

Ser mais que mera espera

Espero contra o tempo

Sou resposta imperfeita sob o sol

 

 

 

 

 

 

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham