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Aqui Rubens Pontes: Meus poemas de sábado – De Ian Mendes, Tão Bom / SLAM: poesia falada em Vitória/ES

SLAM – A POESIA FALADA DA RUA GANHA ESPAÇOS EM VITÓRIA/ES

“A poesia é algo que anda pela rua”
(Anônimo)

O gênero pouco conhecido até mesmo por parte dos leitores de poesia, o Slam, a poesia falada das ruas, ganha força e projeção em vários países, como Estados Unidos, Canadá, Brasil – entre nós com destaque para jovens poetas do Espírito  Santo, premiados em certames nacionais.

Para se medir os espaços conquistados pelos poetas praticantes do Slam no nosso Espírito Santro, desde a criação do Slam Poetry em Chicago/EUA, no ano de 1980, instalaram-se entre nós, em 2015, o Slam Botocudo (Vitória); em 2016 o Slam Atrevido; e em 2018 o Slam Nísia, ambos em Vila Velha/ES.

No mesmo ano o Slam Boca de Forno, em Aracruz, e em 2019 o Slam Xamego, em Vitória.

A media dos participantes tem sido de trinta poetas por clube. Há concursos propostos aos poetas do Slam e o vencedor do Slam Brasil, finalista, recebe uma passagem até Paris para representar o País no “Grand Poetry Slam”, a “copa do mundo” de poesia falada.

SLAM – A POESIA FALADA DA RUA GANHA ESPAÇOS EM VITÓRIA/ES

“A poesia é algo que anda pela rua”
(Anônimo)

Portal Don Oleari e a Coluna valem-se de doutos registros de Margareth Imbroise (à esquerda) e Simone Martins (à direita) para confirmar ser a Arte de Rua, ou Street Art, expressão relacionada com manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público, distinguindo-se das manifestações de caráter institucional ou empresarial, bem como do mero vandalismo.

O Udigrudi

A princípio um movimento underground, a street art foi gradativamente se constituindo como forma de expressão artística. Ela deu seus primeiros passos nos Estados Unidos, na década de 70, com um caráter dinâmico e efêmero.

Registre-se, porém, que pesquisadores confirmam remontar a períodos muito antigos, com os gregos e romanos transmitindo mensagens pelas ruas de suas cidades e através de grafites. Na fotos acima à direita, grafite de um lupanar – vulgo puteiro – e de um pássaro nas Termas Estabianas, em Pompeia, onde foram descobertos cerca de 10 mil grafites, apesar da tragédia que deletou a cidade.

No Brasil, a arte de rua surgiu na década de 70, mais precisamente com as obras de grafite nas paredes da cidade de São Paulo, num período conturbado da história do país, a Ditadura Militar.

Além dos grafites muito populares em todas as grandes cidades brasileiras, nossa abordagem se volta para os poetas de rua, até porque o Espírito Santo, Vitória com destaque, ganha indiscutível projeção no cenário brasileiro.

É o SLAM – a poesia falada / À direita, em Vila Velha/ES, setembro 2019.

O estilo segue algumas regras simples:
• Poesias autorais (decoradas ou lidas na hora) de até três minutos;
• Proibição da utilização de figurino, cenário ou instrumento musical;
• São escolhidos, aleatoriamente, cinco jurados na plateia que serão os responsáveis por dar notas de zero a dez.
• Leva a competição aquele que tiver a maior nota.

Cada Slam, ao encerrar seu ciclo no fim de cada ano, promove uma final que vale uma vaga para o Campeonato Estadual (SLAM SP, SLAM MG, SLAM RJ, SLAM BA, SLAM ES) em sequência para o Campeonato Brasileiro de Poesia Falada – SLAM BR.

É do Slam BR que sai o poeta vencedor para competir no Campeonato Mundial na França. A vencedora em 2019 foi a mineira Pieta Poeta.

Nos lembra Carla Nigro – Universidade de São Paulo e Universidade de Lisboa – ser necessário ter o poeta no mínimo três textos de própria autoria para recitar, uma vez que eles não podem ser repetidos e a competição tem três fases.

Cada performance deve durar três minutos, porque depois disso os pontos são descontados. E qualquer poema discriminatório (por exemplo, homofóbico, machista, racista) é imediatamente eliminado.

Além disso, não é possível usar qualquer tipo de auxílio visual ou/e fantasia, instrumento musical, música pré-gravada ou base musical.

Há duas razões para essa regra: manter o foco nas palavras e performance do poeta; e garantir a igualdade de condições para todos.

Júlia, representante do ES no Slam nacional

Em Vitória, capital do Espírito Santo, todo terceiro sábado do mês cerca de 50 jovens, entre Slammers, estudantes e escritores, se juntam na Praça dos Namorados para compartilhar poemas e afetos.

IAN MENDES,

UM JOVEM POETA DO SLAM

Ian Mendes – Ira, no movimento – aparece em primeiro plano no segundo vídeo, lá embaixo.

Aos 17 anos de idade, Ian Mendes frequenta ensino médio e mora no mesmo lugar onde nasceu, a Cidade da Barra, Região de Vila Velha.
Vila Velha, aliás, tem sido epicentro de um movimento que promove cultura e consciência: os campeonatos de poesia falada.

Ian, que adota o codinome artístico Ira, escreve desde os seis anos, mas foi depois de assistir vídeos na internet que tomou coragem e começou a participar das competições. Alcançou resultados expressivos como vencendor do II Slam Interescolar Capixaba, que lhe abriu vaga para disputar o Interescolar Nacional em Belo Horizonte, onde foi vice-campeão.

Já em Vitória, no dia seguinte, participou de certame e foi campeão do Slam ES – Campeonato Estadual de Poesia Falada, disputa que reúne os poetas classificados de todos os slams ativos no Estado.

Com mais essa conquista, Ian Mendes é o representante capixaba no principal torneio nacional, o Slam BR, em São Paulo, no roteiro de Paris. É dele o poema “Tão Bom”, e com ele o Portal Don Oleari e o colunista rendem suas homenagens aos poetas que trazem até nós a poesia falada das ruas.

Rubens Pontes, jornalista
Capim Branco, MG

Tão Bom
Ian Mendes

Aguardei com paciência no senhor
E ele ouvi minha voz
Do fundo do poço ele me tirou
Firmou meus pés sobre uma rocha
Me deu luz para as trevas brilhou meu luto
Todo vazio ele preencheu
Me deu cântico novo me amou de graça
De vida ele me encheu
Tão bom você é pra mim
Tão bom você é pra mim
Tão bom você é pra mim
Jesus
Ele me salvou me curou
E sobre o chão firme me colocou
Aleluia aleluia
Porque Ele me salvou me curou
E sobre o chão firme me colocou
Aleluia aleluia
Tão bom você é pra mim
Tão bom você é pra mim
Tão bom você é pra mim
Jesus
Eu tenho amor paz alegria e mais
Pela graça do santo espírito
Tão bom você é pra mim
Tão bom você é pra mim
Tão bom você é pra mim
Jesus
Fonte

MBROISI, Margaret; MARTINS, Simone. Arte de Rua. História das Artes, 2021. Disponível em: <https://www.historiadasartes.com/nomundo/arte-seculo-20/arte-de-rua/>. Acesso em 17 Feb 2021.]

Vídeo de um encontro em 2019.

Vídeo copigarfado de matéria de 2018 do saiti seculodiario – https://www.seculodiario.com.br/cultura/aos-17-anos-campeao-da-poesia

Lero do Editor Chefão: a foto de capa é uma reverência ao ao nosso saudoso Sergio Blank, que aparece dando a nota num dos juris dos encontros do SLAM.

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham