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Aqui Rubens Pontes – Meus poemas de sábado – Poema mais intimista do mundo, de Italo Samuel Wyatt

 

 

O Portal Don Oleari registra nesta Coluna a fascinante trajetória de um então jovem estudante de Direito da UFES na área da poesia, portador de uma sensibilidade criativa capaz de impressionar renomados intelectuais como Anaximandro Amorim (o do meio, na foto, com o poeta Italo Campos, durante gravação do programa Sociedade dos poetas vivos), membro da Academia Espírito-Santense de Letras:

– “Em tempos de internet, o esquecimento se tornou algo impossível, sobretudo no que se refere a datas, uma em especial, segunda-feira, 14 de fevereiro de 2016, quando recebi pela primeira vez uma mensagem de, até então, um garoto desconhecido, que me aparentava ter 20 anos.

O nome dele era Ítalo Samuel e ele se dizia aspirante a poeta, quanta modéstia… Isso foi quase um ano antes de nos conhecermos pessoalmente, as trocas de mensagens me impressionavam pela leve autenticidade do autor.

Estou acostumado ao assédio dos mais jovens, todos aspirantes, poucos no entanto já estão prontos, Ítalo estava, algo muito raro. A primeira pergunta que ele me fez, eu esperava algo do tipo ‘como publicar?’, ‘onde lançar?’, comprometido, porém, com o fazer poético o jovem então questionou ‘como eu faço para fazer boa poesia? Anaximandro Amorim”.

POESIA COM MUITA INSPIRAÇÃO E NENHUM SUOR

Italo Samuel Wyatt nasceu em Vinhático (foto 1), município de Montanha/ES, mas nunca negou seu amor platônico por  Mucurici/ES (foto 2, ambos no extremo Norte do ES),  cidade que deixou na juventude para estudar Direito na UFES.

Já então, no entanto, mais do que a área jurídica, sentia-se contaminado pelo doce vírus da poesia que se tornaria seu sonho maior de realização pessoal.

O lançamento do livro “A Janela do Eden” (Editora Multifoco), realizado na FAESA em 2017, quando Italo Wyatt era ainda jovem universitário com 20 anos de idade, foi patrocinado pelo  Curso de Direito com o apoio  de  seus mestres, destaque para as professoras Sayury Otoni e Viviane Gramigna e o consagrado escritor Anaximandro Amorim, confirmaria sua inarredável vocação.

A obra, segundo o próprio autor, é um apanhado sobre a existência humana, que espelha a metáfora do Jardim de Deus:

– “Cada um de nós possui o bem, o divino, a luz, criações, amor, pecado, cobiça e outros sentimentos. Mesmo assim, um Paraíso dentro de nós.

A Coluna  selecionou  do  livro editado  “Janela do Eden”, para   publicação nesta semana, O  POEMA  MAIS INTIMISTA DO MUNDO.

Rubens Pontes, jornalista

Capim Branco, MG

 

POEMA MAS INTIMISTA DO MUNDO

Italo Samuel Wyatt

(PARA OS ANDES, NA TOADA DE PABLO NERUDA)

PUEDO escribir los versos más tristes esta noche.

Este poema que despertou-me tantas catarses durante a vida
tornou-se um retrato piegas e
emporcalhado na lembrança.

Escribir, por ejemplo: “La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos”.
El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Toda esta composição do cosmos, agora
reflete o voo de uma borboleta
o cravo pregado no peito do passarinho
a insinuação mansa e irregular dos amantes.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Amei e fui amado. Rejeitado. Desprezado.
até consumar-se a oratória do poeta popular:
SÓ SOU GRANDE SE SOFRER!

La misma noche que hace blanquear los mismos
árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Já não somos os mesmos. E será que fomos algum dia?
entortamos os nossos destinos na curva da aliança?
fizemos arquétipos pessoais?
ya no somos los mismos!
tampouco, o verbo intransitivo direto: amar.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

E isso: consola-me. Eis que a primavera floreou
os meus braços não te pertencem mais
nem o beijo
a voz
o corpo
meus olhos. O meu olhar já tem a quem…

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero…

Não quero. Pois já tenho a parte desejada
a rama do outono
o verão do vale
a manhã que entra pela janela.
aquela foi a última dor
pois o meu caminho tornou-se valsa
tango
transeuntes desesperados
e a inspiração do aconchego de
meu novo amor.

Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham