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As Certinhas do Oleari + Poesia Erótica – Por Rodrigo Mello Rego / Três sonetos de Clauco Mattoso

 

 

Senhor Diretor Oswaldo Oleari

Com problemas de saúde em pessoas da família, ausentei-me do Portal Don Oleari, pelo que me penitencio e me desculpo.

Retornando ao tema dos meus estudos e levantamentos – a poesia erótica muitas vezes apontada como pornográfica – me reporto a um meio diálogo com um amigo que condena o que chamou de divulgação de poesia imoral.

Disse-lhe que vivemos num meio em que a hipocrisia ganha cada vez mais espaços com os que leem às escondidas, condenam a mesma leitura para terceiros e se confundem com a visão dualista da vida social.

Pediu-me exemplos e eu lhes dei:

1- Um casal se abraça numa praça da Cidade e assim permanece durante alguns minutos a mais do que num simples cumprimento. Transeunte se escandaliza e chama a atenção de um guarda da esquina para o que conceituou de atentado ao pudor.

Mas… se um sanfoneiro chega e executa ao lado uma polca em seu instrumento de 8 baixos, o casal continua abraçado, se meche mais, outros casais passantes se abraçam também, o público aplaude a dança coletiva, a TV filma e passa no seu jornal da noite.

2 – Outro exemplo da visão dúbia dos chamados valores sociais: Cruza a rua uma bonita garota usando um short apertadíssimo sem esconder a sensualidade do seu derrier. Ouve “cantadas” grosseiras de homens e olhares indignados de distintas senhoras cheias de pudor.

Mas… se em torno dela houver uma passarela de areia, com o mar ao fundo, pode a mesma bonita garota desfilar com seu maiô fio-dental, mesmo com esse fio-dental fora da visão de quem acidentalmente olha, coberto ele próprio pelas suas generosas partes pudendas…Nenhum escândalo.

3 – Na Avenida principal o reboliço e a rádio patrulha com sirenes ligadas pelo chamado da veneranda senhora do segundo andar do edifício, escandalizada com a rápida passagem da jovem senhora semidespida que cruza a rua saindo do ateliê para entrar no seu carro em frente.

A mesma veneranda e respeitada senhora que leva depois seus filhos para admirar, no Museu da cidade, a magnifica tela mostrando a jovem senhora despida retratada pelo pintor famoso.

Foi então que meu amigo ouviu, quase com reverência, os poemas que pouco antes eu selecionara para encaminhamento ao Portal Don Oleari.

Do autor Glauco Mattoso, poeta que ficou cego e passou a escrever poesia erótica, fescenina, crítica e contundente.

Em anexos, 3 poemas, um deles “Soneto Masoquista”, pela sua surpreendente atualidade…

Com muito apreço e honra, Rodrigo de Melo Rêgo.

Rodrigo de Melo Rêgo, jornalista, Mestre em Estudos Literários.

Pesquisador de literatura herótica.

SONETO 139 OROERÓTICO (OU OROTEÓRICO)
Glauco Mattoso

Segundo especialistas, a chupeta
depende da atitude do chupado:
se o pau recebe tudo, acomodado,
ou fode a boca feito uma boceta.

Pratica “irrumação” o pau que meta
e foda a boca até ter esporrado;
Pratica “felação” se for mamado
e a boca executar uma punheta.

Em ambos casos, mesma conclusão.
O esperma ejaculado na garganta
destino certo tem: deglutição.

Segunda conclusão: de nada adianta
negar que a boca sofra humilhação,
pois, só de pensar nisso, o pau levanta.

SONETO MASOQUISTA

Glauco Mattoso

Político só quer nos ver morrendo

na merda, ao deus-dará, sem voz, sem teto.

Divertem-se inventando outro projeto

de imposto que lhes renda um dividendo.

 

São tão filhos da puta que só vendo,

capazes de criar até decreto

que obrigue o pobre, o cego, o analfabeto

a dar mais do que vinha recebendo.

 

Se a coisa continua nesse pé,

Acabo transformado no engraxate

Dum senador qualquer, dum zé mané.

 

Vou ser levado, a menos que me mate,

à torpe obrigação de amar chulé,

lamber feito cachorro que não late

SONETO HINDU

Glauco Mattoso

Na Índia a felação é tão falada

que tem nos “Kama Sutra” um texto inteiro.

Lá diz que um servo, como chupeteiro,

resolve quando a fêmea não quer nada.

 

Me contam que na mais baixa camada

os cegos são mantidos em puteiro

e, em troca de comida ou por dinheiro,

batalham pra chupar gente abastada.

 

Queria fazer parte desta casta

e, além de chupar rola, ser forçado

a toda a obrigação dum pederasta:

 

Após ao superior o cu ter dado,

Ralar a língua vil na sola gasta

E suja (Vou gozar!) de seu calçado.

Nota do Portal Don Oleari

Glauco Mattoso é pseudônimo do paulista Pedro José Ferreira da Silva, um trocadilho de glaucoma que lhe fez perder a visão, em 1995. Escreveu mais de 5 mil sonetos .

Fota da capa: Claudio Cammarota.

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Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham