Rádio CLUBE DA BOA MÚSICA

Rádio CBM: Classe A, de A a Z

Cronicascatinha do Oleari – Um feliz dia, todo dia, ano inteiro – 26/12/2010

Um repeteco

A Gazeta

Crônica – Um feliz dia, todo dia, ano inteiro
26/12/2010 – 19h32 – Atualizado em 26/12/2010 – 19h32

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2010/12/731742-cronica++um+feliz+dia+todo+dia+ano+inteiro.html

Honestamente? Sou avesso, sempre arregacei com a solidariedade de data marcada.
Avesso a pacotes, noves fora uqui os homi empacotaram brasilerim da silva em temporadas de salvadores da pátria amada, idiotalatrada, mãe gentil.

Nunca quis paz, união, alegrias, esperanças, amor, sucesso, realizações, luz, respeito, harmonia, saúde, solidariedade, felicidade, humildade, confraternização, pureza, amizade, sabedoria, perdão, igualdade, liberdade, boa sorte, sinceridade, estima, fraternidade, equilíbrio, dignidade, benevolência, fé, bondade, paciência, gratidão, força, tenacidade, prosperidade, reconhecimento, em arvrinha de natal de pacote.

Isto é, tudo numa juntada na semana dos bãozim. Seria durabu se fosse servido à la carte dia sim outro também, do comecim ao finalizim de cada ano, década, século, milênio.

Seria não?  A utopia, feliz ou infeliz? Nem tanto, talvez dê pra meiá.

Feliz, se consigo juntar “nas ideia” o que os dois neurônios ainda ativos me sopram na madrugada, se consigo fazer um programa de rádio dusbão às segundas à noite, se estou numa reunião com amigos a quem quero bem.

Ou a novos que me proporcionem momentos especiais, se estou num bom buteco saboreando um bom torresmo,.

Ou um jiló com polentinha e uma salada de tomatão dos primos Oleari do Córrego Senador, no bar do Rubens, em Vila lenira, Colatina, minha terra.

Ou uma massa especial de um chef bacana, o Chef Dinho (à direita), ou degustando um torrontés da grife Susana Balbo, ou um sauvignon Blanc neo zelandês indicado pelo meu “personal wine” Zanatta, ou escrevendo um textim maiomenu no meu blogui, ou mandando uma mensagem porretaça no feicibuqui.

Infeliz ao ver o rosto daquele menino regularmente no cruzamento da Rua Antonio Ataíde com a Avenida Carioca – a que desce da ponte Darcy Castelo de Mendonça (Ave! grande radialista) – em malabarismos por alguns trocados.

Passo ali às vezes indo pra casa de amigos, a algum buteco no litoral sul, a uma degustação no pedaço, ou uma “degustação” de sardinha e peroá no 171, do amigo Paulo Cabeça (à esquerda).

A cena tritura meus sentimentos. Aquele menino com olhar de quem diz “olha, tô aqui” não só pra pedir míseros trocados, mas com cara de “tô pricisadu de atenção”, mei minutim que seja.

Desabo. Aquela imagem daquele rosto sofrido não me condena. Mas, minhas lágrimas me dizem para parar, deixar um alô, um cumprimento, um olhar de “tô vendo você, cumé seu nome? Pega aí, são coisas dicumê”.

Não faço nada por aquele menino, tô na minha…

A expressão no rosto daquele menino misbagaça acordado às três da madruga, ao surgir naquele balé de pobres malabarismos diante dos carrões vidro fumê/fechados em suas vivências.

O prisidenti num disse quiu fomizero zerô a fome? Ou só zerô estatísticas oficiais? Estatística e televisão fazem milagres.

Ranzinzo solidariedade em pacote, data marcada. Aquele menino precisa de um pacote de atenção todo dia, a cada dia.

Na noite de 24 não fui lá levar um pão, um frango pronto, umas frutas. Só repeti as lágrimas desta linha aqui.

Um feliz dia, todo dia, ano inteiro.

– Nota: na semana seguinte fomos lá e deixamos um farnel praquele menino.

COMPARTILHE:

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on linkedin
Don Oleari - Editor Chefão

Don Oleari - Editor Chefão

Radialista, Jornalista, Publicitário.
Don Oleari Corporeitcham